Londres, 07 jun 2026 (Lusa) — O Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, assegurou este domingo que as suas forças não vão baixar os braços nem aceitar uma capitulação passiva face à persistente ofensiva militar russa. A garantia foi dada em Londres, momentos antes de o chefe de Estado se recolher numa reunião de alto nível com os líderes do Reino Unido, França e Alemanha para discutir o futuro do apoio europeu.
Zelensky desembarcou na capital britânica ostentando o seu habitual traje escuro e foi recebido pelo Primeiro-Ministro Keir Starmer na residência oficial de Downing Street, cujo exterior exibia as insígnias nacionais dos quatro países envolvidos na cimeira.
Em declarações prestadas à estação de televisão Sky News antes do início dos trabalhos institucionais, o governante ucraniano elevou o tom e avisou que o seu país continuará a retaliar contra as investidas de Moscovo. O grande destaque da entrevista, contudo, residiu na revelação de que o magnata russo Roman Abramovich tem atuado como emissário secreto entre Kiev e o Kremlin.
Segundo Zelensky, o antigo proprietário do Chelsea deslocou-se à capital ucraniana para apresentar propostas em nome de Vladimir Putin. "Ele disse-me que trazia uma mensagem direta e que queria levar as nossas respostas de volta, sublinhando que tudo teria de ser tratado com a máxima confidencialidade", relatou. O conteúdo da abordagem russa passava pela exigência de que a Ucrânia prescindisse em definitivo da região do Donbass — um cenário liminarmente rejeitado por Zelensky: "Não vamos abandonar o território nem oferecer-vos um triunfo desse género".
Apesar da intransigência em relação à soberania territorial, o Presidente ucraniano sinalizou, pela primeira vez com maior clareza, alguma flexibilidade quanto às táticas para alcançar a paz. Confrontado sobre a possibilidade de travar os combates nas posições atuais das tropas, Zelensky admitiu que a fixação temporária das linhas de contacto poderá funcionar como o atalho mais viável para silenciar as armas. "O objetivo não é apenas congelar a guerra por congelar, mas sim encontrar a via mais célere para transitar para uma resolução negociada por canais diplomáticos", argumentou.
Estas declarações serviram de antecâmara para um encontro de duas horas à porta fechada entre Zelensky, Keir Starmer, o Presidente francês Emmanuel Macron e o Chanceler alemão Friedrich Merz. Embora a agenda estivesse focada no fornecimento de armamento e nas garantias de segurança a Kiev, as delegações não adiantaram se o formato desta minicimeira resultará na assinatura imediata de novas minutas de cooperação.