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Xi declara que amizade entre Pequim e Pyongyang "ficará para sempre"
Numa visita histórica, o Presidente chinês apela à união contra a "hegemonia" ocidental e o militarismo regional, ignorando o programa nuclear de Kim Jong-un.
Por Redação
Publicado em 08/06/2026 08:03
International
@Lusa

Pequim, 08 jun 2026 (Lusa) — O Presidente da China, Xi Jinping, recorreu esta segunda-feira às páginas do principal jornal estatal da Coreia do Norte para deixar um sinal claro ao mundo: a aliança estratégica e ideológica entre Pequim e Pyongyang "ficará para sempre". O manifesto político surge no arranque da primeira visita oficial do líder chinês ao território norte-coreano em sete anos, coincidindo com o 65.º aniversário do Tratado de Amizade, Cooperação e Assistência Mútua que une as duas nações.

O artigo, replicado em simultâneo pela agência oficial chinesa Xinhua, serve para marcar o início daquilo que Xi classifica como um "novo ponto de partida histórico". A nível diplomático, a viagem representa um esforço de Pequim para recuperar o terreno e a influência perdida sobre o regime de Kim Jong-un, numa altura em que Pyongyang se tem mostrado cada vez mais alinhada e próxima de Moscovo.

No texto, Xi Jinping defende uma coordenação apertada entre os dois vizinhos comunistas para blindar o sistema internacional coordenado pela ONU e fazer barreira àquilo que apelida de "hegemonia" e "política da força" — numa alusão velada aos Estados Unidos e aos seus aliados ocidentais. O líder chinês aproveitou ainda a oportunidade para lançar um aviso à navegação regional, condenando qualquer ensaio de "reavivar o militarismo", uma fórmula retórica que a diplomacia de Pequim tem aplicado com insistência para visar o recente rearmamento e posicionamento geopolítico do Japão.

Num detalhe considerado altamente relevante pelos analistas internacionais, o longo artigo assinado por Xi Jinping omitiu qualquer menção à desnuclearização da península coreana. O silêncio surge apenas 24 horas após o regime de Kim Jong-un ter reiterado publicamente que o estatuto da Coreia do Norte como potência nuclear é definitivo e "irreversível".

Este reencontro presencial — o sétimo entre os dois governantes nos últimos anos — surge na esteira de uma rápida reaproximação bilateral iniciada no outono passado. Depois de anos de gelo diplomático motivados pelos testes de mísseis norte-coreanos, os canais de comunicação reabriram em força desde setembro de 2025, um processo consolidado com o recente reatamento das ligações aéreas e ferroviárias de passageiros, que estiveram totalmente suspensas durante seis anos.

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