Jerusalém, 08 jun 2026 (Lusa) — A escalada de violência no Médio Oriente atingiu um novo pico esta madrugada, com as forças armadas de Israel a confirmarem a execução de ataques aéreos contra diversas instalações militares localizadas no centro e no oeste do Irão. A ofensiva surge poucas horas após o regime de Teerão ter disparado uma salva de mísseis contra território israelita, numa resposta direta às operações que Telavive está a levar a cabo no Líbano.
Os media estatais iranianos avançaram que foram audíveis fortes estrondos nas cidades de Isfahan, Tabriz e nas imediações da capital, Teerão. Perante o cenário de ataque, as autoridades iranianas ordenaram o encerramento imediato do espaço aéreo em torno do Aeroporto Internacional Imam Khomeini. Segundo a Guarda da Revolução Islâmica, o exército israelita recorreu a mísseis balísticos disparados a partir de caças para visar as posições iranianas, embora ainda não haja um balanço oficial sobre a extensão dos estragos ou eventuais vítimas.
A ação militar de Israel representa um duro revés para a diplomacia de Washington. De acordo com fontes da administração americana, o Presidente Donald Trump tinha telefonado pessoalmente a Benjamin Netanyahu, exortando-o a congelar qualquer plano de retaliação imediata. A Casa Branca acreditava mesmo ter convencido o Primeiro-Ministro israelita a adiar a resposta, mas a Força Aérea de Israel acabou por avançar para o terreno poucas horas depois.
Até ao momento, a Casa Branca optou pelo silêncio, escusando-se a clarificar se houve algum tipo de coordenação prévia para esta operação. A postura de Israel já tinha merecido críticas públicas de Trump este domingo, em entrevista à Fox News, onde manifestou o seu desagrado com a intensidade dos bombardeamentos em Beirute: "Não estou contente com isso", afirmou o Presidente americano, sublinhando o desejo de ver o Irão cessar os ataques e regressar à mesa das negociações.
Este novo capítulo de confrontação direta coloca em risco as já frágeis conversações de paz entre Washington e Teerão. O diálogo encontra-se num impasse severo devido à invasão terrestre de Israel no sul do Líbano, onde as tropas israelitas recuperaram posições que já não controlavam há 25 anos na sua investida contra o Hezbollah.
Com a resposta militar desta madrugada, os analistas temem que a região entre num ciclo de retaliações incontroláveis, deitando por terra o papel dos mediadores internacionais que tentavam desenhar um cessar-fogo estrutural para o conflito. Do gabinete de Netanyahu, em Telavive, não saiu até agora qualquer comentário às críticas americanas.