Erevan, 08 jun 2026 (Lusa) — O partido Contrato Cívico, liderado pelo Primeiro-Ministro Nikol Pashinyan, garantiu uma vitória com maioria absoluta nas eleições parlamentares antecipadas deste domingo na Arménia. Os dados provisórios avançados esta manhã pela Comissão Eleitoral Central confirmam o favoritismo do atual chefe do Executivo, num ato eleitoral que serviu de barómetro à nova orientação geopolítica do país face ao continente europeu.
Com a totalidade dos votos apurados, a formação de Pashinyan reuniu 49,8% dos sufrágios, superando com larga margem a Aliança Arménia, coligação liderada pelo magnata russo-arménio Samuel Karapetyan, que não foi além dos 23,3%. No bloco da oposição, o partido do antigo Presidente Robert Kocharyan obteve 9,9%, seguindo-se a formação Arménia Próspera com 4%. A ida às urnas registou uma taxa de participação fixada nos 59% por parte do eleitorado.
Numa declaração pública após a divulgação dos dados, Nikol Pashinyan classificou o desfecho como uma "vitória histórica". O governante, de 51 anos, reiterou o compromisso de acelerar o processo de integração e aproximação à União Europeia e aos Estados Unidos, salvaguardando, contudo, a intenção de manter canais abertos e "reforçar os laços" com a Federação Russa, com quem o país partilha uma aliança bilateral secular. Em sentido inverso, o líder opositor, Samuel Karapetyan, rejeitou a validade dos resultados, catalogando o ato eleitoral como "vergonhoso" e apontando o dedo a supostas manobras de repressão e irregularidades nas mesas de voto.
A validação popular do projeto de Pashinyan surge num quadro de redefinição estratégica. Erevan tem endurecido o tom crítico contra Moscovo, acusando a tutela russa de passividade perante a ofensiva militar do Azerbaijão que culminou com a perda definitiva do território de Nagorno-Karabakh, em 2023, provocando uma crise de refugiados com o êxodo de dezenas de milhares de cidadãos arménios.
O posicionamento da Arménia recolheu eco imediato nas principais capitais europeias. A Presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, recorreu às plataformas digitais para endereçar os parabéns a Pashinyan, enfatizando o apreço institucional pela consolidação de uma "Arménia democrática que caminha em direção à Europa".
Também o Presidente francês, Emmanuel Macron, fez questão de saudar formalmente o Primeiro-Ministro arménio pela expressiva vitória nas urnas, validando o trajeto de distanciamento do país face à tradicional esfera de influência do Kremlin.