Santarém, 08 jun 2026 (Lusa) — A líder da Iniciativa Liberal (IL), Mariana Leitão, criticou o Governo pela forma como está a conduzir a implementação da Prestação Social Única (PSU). À margem de uma ação política na Feira Nacional de Agricultura, em Santarém, a dirigente acusou o Executivo de apresentar uma proposta "em cima do joelho" e de exigir ao Parlamento a aprovação de um "cheque em branco", dada a ausência de pormenores essenciais sobre o funcionamento do novo modelo de apoios.
A medida em causa visa fundir 13 prestações sociais não contributivas — entre as quais o Rendimento Social de Inserção e o subsídio social de desemprego — num mecanismo único. Para Mariana Leitão, o processo está a ser marcado por uma pressa incompreensível, lembrando que a reforma já transitou do anterior executivo e que houve tempo suficiente para ser delineada com maior transparência e rigor técnico.
Questionada sobre a possibilidade de o acesso a esta prestação ficar indexado à obrigatoriedade de prestação de trabalho social, a deputada preferiu não assumir uma postura definitiva. A líder liberal justificou a cautela com a total falta de dados sobre as contrapartidas ou cargas horárias associadas, remetendo o esclarecimento e a tentativa de aperfeiçoamento do documento para o debate agendado na Assembleia da República para a próxima sexta-feira.
A líder da IL aproveitou a ocasião para responder aos recentes apelos do Presidente da República e do primeiro-ministro que visam o retorno de cidadãos emigrados. Mariana Leitão questionou a eficácia destas mensagens face à realidade nacional, apontando o dedo aos baixos salários crónicos, à crise na habitação, ao fraco dinamismo económico e à asfixia burocrática como os principais entraves à fixação de talento em Portugal.
Durante a sua passagem pelo certame agrícola, a porta-voz liberal elencou ainda os principais estrangulamentos reportados pelos produtores locais. Destacou a escassez de mão de obra, os entraves no alojamento de trabalhadores e a lentidão extrema no licenciamento de projetos, que chega a reter investimentos durante anos.
A fechar a sua intervenção, Mariana Leitão lamentou que o plano estratégico "Água que Une" continue a ser apenas uma promessa no papel, exigindo reformas urgentes para que o setor agrícola deixe de ser o "parente pobre" do tecido económico português.