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UE Alerta para Desequilíbrio Comercial
Von der Leyen avisa que a Europa vai defender a sua economia face à sobrecapacidade global
Por Redação
Publicado em 08/06/2026 22:15
International
@Lusa

Bruxelas, 08 jun 2026 (Lusa) – A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, salientou hoje os desequilíbrios e a capacidade excedentária no comércio global como grandes desafios para a competitividade económica dos 27 Estados-membros. Numa mensagem publicada nas redes sociais, a líder do executivo europeu assegurou que o bloco continua aberto ao diálogo e dá prioridade às parcerias, mas deixou claro que a prioridade máxima será defender os interesses da Europa.

Este aviso surge após uma ronda de conversações com vários líderes europeus sobre a estratégia económica da União Europeia, um tema que ganhou urgência acrescida e que será o prato forte da próxima cimeira de chefes de Estado e de Governo, agendada para os dias 18 e 19 de junho. Von der Leyen alertou que, embora o trabalho comece "em casa" — com o foco centrado na redução dos custos de energia e na simplificação burocrática para as empresas em todo o continente —, as grandes ameaças também chegam do exterior.

Apesar de a declaração oficial não apontar o dedo diretamente a nenhum país, o "elefante na sala" em Bruxelas tem um nome claro: a China. A posição da União Europeia face a Pequim tem gerado acesos debates internos, expondo uma profunda divisão entre os 27 Estados-membros. Enquanto a França e a Itália lideram o grupo que exige uma postura de linha dura para proteger a indústria europeia dos agressivos subsídios públicos atribuídos pelo governo chinês, a Alemanha e a Espanha pedem cautela para evitar uma guerra comercial aberta. Por sua vez, Pequim tem rejeitado as acusações, classificando as intenções da Europa como protecionistas e ameaçando com retaliações.

A preocupação da Comissão Europeia é sustentada por números preocupantes que revelam um fosso comercial cada vez maior. Em 2024, o défice comercial da UE em relação à China superou os 305 mil milhões de euros, um cenário que se agravou severamente em 2025, altura em que o défice disparou para os 359,8 mil milhões de euros. No último ano, as exportações europeias para o mercado chinês registaram uma quebra de 6,5%, ao mesmo tempo que as importações de produtos chineses cresceram 6,4%, consolidando uma tendência de longo prazo onde as compras à China duplicaram na última década.

O epicentro desta fricção comercial localiza-se no setor automóvel, impulsionado pela rápida expansão das marcas de veículos elétricos chineses no mercado europeu. De acordo com os dados apresentados por Bruxelas, a quota de mercado destas construtoras cresceu de menos de 1% em 2019 para uma previsão de 15% em 2025, sustentada por preços de venda que chegam a ser 20% inferiores aos dos modelos produzidos na Europa. Como resposta imediata àquilo que considera uma concorrência desleal, a Comissão Europeia já avançou com a aplicação de tarifas alfandegárias punitivas que podem atingir os 45% sobre os carros elétricos importados da China.

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