Lisboa, 08 jun 2026 (Lusa) – Os ministros dos Assuntos do Mar da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) aprovaram hoje, por unanimidade, o Plano Estratégico de Cooperação para o Oceano, desenhado para o horizonte 2026-2030. O acordo histórico foi selado em Lisboa, no decorrer da IV Reunião Extraordinária do setor, que combinou o formato presencial com a participação digital dos nove Estados-membros.
A sessão foi liderada por Marcos da Cruz, ministro da Agricultura, Pecuária, Pesca e Florestas de Timor-Leste — país que detém a presidência rotativa da organização. O governante timorense destacou que a nova estratégia pretende blindar a governação marinha, impulsionar a investigação científica, preservar os ecossistemas e robustecer a chamada "economia azul". Face às ameaças urgentes das alterações climáticas e da pressão sobre a biodiversidade, o plano é visto como um escudo para garantir a sustentabilidade e a segurança alimentar das populações costeiras.
A relevância global do documento foi também enfatizada pelo ministro da Agricultura e Mar de Portugal, José Manuel Ferreira Fernandes. Em declarações à Lusa, o governante português apontou eixos vitais do plano, como a literacia, a vigilância e a segurança no mar. Fernandes recordou o peso geoestratégico do bloco, lembrando que Portugal e o Brasil gerem algumas das maiores Zonas Económicas Exclusivas (ZEE) do planeta, um fator que, aliado à língua partilhada, amplia o poder de influência da comunidade à escala global.
Embora fenómenos climáticos específicos, como o El Niño, não tenham feito parte dos debates do dia, a reunião serviu para traçar metas alinhadas com as Nações Unidas. Foi feito um apelo direto para que todos os membros criem comités nacionais no âmbito da "Década dos Oceanos" (2021-2030). Atualmente, estas estruturas só estão ativas em Portugal, no Brasil e em Cabo Verde, pretendendo-se agora alargar esta rede de partilha de conhecimento a todo o espaço lusófono.
O entendimento surge numa data altamente simbólica, o Dia Mundial dos Oceanos, e a poucas semanas de a CPLP celebrar o seu 30.º aniversário, a 17 de julho. A organização é integrada por Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.