Lisboa, 09 jun 2026 (Lusa) — A lista detalhada de clientes da empresa Spinumviva passou a estar disponível para consulta pública no portal da Entidade para a Transparência (EpT). Os dados foram inseridos na declaração única de interesses do primeiro-ministro, Luís Montenegro, correspondendo às exigências do regulador que fiscaliza a riqueza e os interesses dos detentores de cargos públicos.
A informação foi integrada no campo destinado a "Outras situações", integrado no separador de "Registo de interesses". O ajuste surge depois de, em abril de 2025, a EpT ter rejeitado a inclusão desta mesma lista através de um documento anexo, justificando que esse formato bloqueava o livre acesso à informação por parte dos cidadãos. O registo agora visível consta da atualização declarativa mais recente submetida pelo chefe do Executivo, com data de 05 de maio passado.
O elenco de entidades publicadas não apresenta divergências face aos nomes que o próprio Luís Montenegro já tinha vindo a público divulgar em março, e que haviam sido adiantados pela comunicação social em 2025.
Entre os clientes da antiga empresa familiar figuram marcas e grupos como a Rádio Popular, Lopes Barata, CLIP (Colégio Luso Internacional do Porto), Ferpinta, Solverde, Cofina, Grupo Joaquim de Barros Rodrigues & Filhos, Rodáreas, ITAU, Sogenave, Portugalenses Transportes, Beetsteel, INETUM Portugal e Grupel.
O documento discrimina igualmente a natureza dos serviços prestados pela Spinumviva. A grande maioria dos contratos — associada a clientes como a INETUM, Grupel, Sogenave, Solverde, Ferpinta, CLIP, Lopes Barata, Cofina e Rádio Popular — esteve ligada à consultoria sobre a proteção de dados pessoais e à implementação do Regulamento Geral de Proteção de Dados (RGPD). Para a Portucalense Beetsteel e para a Portugalenses Transportes, as tarefas centraram-se na consultoria de gestão empresarial.
Houve ainda espaço para assessoria estratégica direcionada à reorganização de uma empresa de cariz familiar no ramo dos combustíveis, englobando o apoio ao embandeiramento de postos de abastecimento do grupo Joaquim de Barros e Rodrigues & Filhos, sediado no distrito de Braga.
Esta nova versão da declaração expõe também que Luís Montenegro avançou com uma objeção formal para bloquear o acesso público à identificação matricial do seu património imobiliário. Segundo dados revelados recentemente pela imprensa, que citam o Tribunal Constitucional, o primeiro-ministro estará a mover litígios jurídicos contra deliberações da Entidade para a Transparência, de forma a proteger o sigilo sobre as suas contas bancárias, serviços específicos e registos prediais.
Em reação, o gabinete do primeiro-ministro assegurou em nota oficial que não existe qualquer falha ou omissão declarativa no processo relativo à Spinumviva. São Bento desmentiu a submissão de novos recursos judiciais, esclarecendo que as recentes interações com o Tribunal Constitucional serviram apenas para ajustar o processo a novas deliberações da EpT, mantendo-se a discussão circunscrita a uma divergência de interpretação jurídica que aguarda a decisão final dos juízes conselheiros.