Lisboa, 15 jun 2026 (Lusa) — A Associação Portuguesa de Energias Renováveis (APREN) alertou hoje que Portugal corre o sério risco de ver fugir capitais internacionais para outras geografias caso continue a adiar o arranque dos projetos de energia eólica no mar (offshore). O aviso coincide com a publicação do relatório "Parques Eólicos em Portugal", elaborado pelo INEGI, que revela que a produção eólica atingiu os 13,5 terawatts-hora (TWh) em 2025, o que representou um quarto de toda a eletricidade consumida no continente.
Embora o interesse dos investidores estrangeiros se mantenha firme, os sucessivos adiamentos no lançamento do primeiro leilão público estão a travar o progresso do setor. Em declarações à Lusa, Susana Serôdio, coordenadora da APREN, admitiu que, mesmo com uma aceleração imediata dos procedimentos e a definição de um calendário claro, as primeiras plataformas eólicas no mar português só deverão estar operacionais após 2030.
Esta lentidão na tomada de decisões políticas coloca o país em desvantagem face à concorrência direta no mercado ibérico. A associação sublinha que Espanha tem conseguido avançar de forma muito mais célere, captando uma fatia importante da cadeia de valor e dos fundos que poderiam fixar-se em território nacional.
Para contornar o impasse e dinamizar também a energia eólica em terra, a APREN defende que o Governo deve replicar os modelos de sucesso vigentes noutras economias europeias. Entre as soluções propostas estão os contratos por diferenças (CfD), amplamente utilizados na Alemanha, e os contratos de aquisição direta de energia (PPA). No entanto, para que os PPA funcionem em Portugal, a associação alerta que o Executivo precisa de criar um sistema de garantias públicas, protegendo os promotores do risco financeiro associado ao tecido empresarial português, composto maioritariamente por pequenas e médias empresas.