Lisboa, 15 jun 2026 (Lusa) — A praça financeira portuguesa inverteu a tendência de abertura e negoceia em terreno negativo, descolando dos ganhos registados no resto da Europa. O principal índice da bolsa de Lisboa, o PSI, recuava 0,55% a meio da manhã, situando-se nos 9.043,37 pontos, com o desempenho penalizado sobretudo pela Galp, cujas ações registavam uma descida de 4,08% para os 18,34 euros.
O recuo da petrolífera portuguesa surge diretamente ligado à forte desvalorização do petróleo Brent, de referência para o mercado europeu, que caía mais de 5% para os 82,90 dólares. Esta descida no preço do crude foi motivada pelo anúncio feito pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, de um acordo de paz com o Irão que irá permitir a reabertura imediata do estratégico Estreito de Ormuz, pondo fim ao conflito armado iniciado a 28 de fevereiro.
Além da Galp, o PSI era pressionado pelas perdas de outras empresas de peso, como a Semapa e a EDP, que registavam quebras de 1,46%. A REN, a EDP Renováveis e a NOS também acompanhavam a tendência de descida, com desvalorizações em torno dos 0,90%, enquanto a Sonae perdia 0,61%.
Em sentido inverso, as restantes praças europeias abriram a sessão em forte alta, com ganhos superiores a 1,4%, impulsionadas pelo alívio das tensões geopolíticas no Médio Oriente. Em Lisboa, algumas cotadas também conseguiam escapar ao pessimismo: a Ibersol e a Mota-Engil lideravam os ganhos com subidas acima dos 3,4%, secundadas pela construtora Teixeira Duarte, pelos CTT e pelo BCP, que avançava 1,77% para os 0,97 euros. O setor retalhista e o das pastas e papel também se mantinham no verde, com subidas ligeiras da Jerónimo Martins, Altri e Navigator.
A nível macroeconómico, o dia fica marcado pelas atenções viradas para a Cimeira do G7 em Evian, França, onde os líderes mundiais vão discutir os detalhes do acordo com o Irão, e pela expectativa em torno da produção industrial na Zona Euro. Nos Estados Unidos, os investidores aguardam ainda a próxima reunião da Reserva Federal (Fed), esperando-se que a instituição opte por manter as taxas de juro de referência no intervalo entre 3,5% e 3,75%.