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Euro digital visto por Christine Lagarde como chave para a soberania financeira europeia
Presidente do BCE defende que a nova moeda reduzirá a forte dependência de sistemas de pagamento estrangeiros num contexto geopolítico exigente.
Por Redação
Publicado em 15/06/2026 10:06
Economia
@Lusa

Frankfurt, Alemanha, 15 jun 2026 — A presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, defendeu esta segunda-feira que o desenvolvimento do euro digital representa uma oportunidade estratégica crucial para que a União Europeia ponha fim à sua prolongada dependência externa no setor dos pagamentos.

Durante a conferência “Dinheiro em transição: digitalização e inovação nos pagamentos”, realizada em Frankfurt, Lagarde sublinhou o facto de a Europa não dispor de um sistema de cartões unificado próprio, encontrando-se altamente subordinada a operadoras norte-americanas como a Visa ou a Mastercard. Segundo os dados apresentados pela responsável, as redes internacionais asseguram atualmente mais de 60% das transações com cartão na Europa, sendo que 13 dos 21 países da Zona Euro nem sequer possuem uma rede nacional de cartões.

A introdução de uma moeda digital europeia permitiria colmatar esta lacuna, dotando o espaço comunitário de uma ferramenta financeira soberana e de alcance global dentro da União. O projeto aguarda agora uma votação decisiva no Parlamento Europeu, agendada para julho, cuja aprovação legislativa é indispensável para que o BCE possa avançar com a emissão da nova moeda.

Lagarde destacou ainda que a atual conjuntura geopolítica transformou a propriedade da infraestrutura financeira num "instrumento de poder", tornando a soberania económica uma prioridade inadiável para o bloco europeu.

À margem do debate tecnológico, a líder do BCE comentou com prudência o recente anúncio de um acordo de paz entre os Estados Unidos e o Irão. Apesar de manifestar satisfação com a perspetiva de entendimento, Lagarde lembrou que existem ainda muitos pormenores por alinhar antes da assinatura formal. A governante apontou a desobstrução do Estreito de Ormuz como o ponto mais crítico do acordo, recordando que o bloqueio daquela rota estratégica foi o grande responsável pela subida drástica no preço das matérias-primas e pela consequente instabilidade nos mercados internacionais.

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