Lisboa, 17 jun 2026 (Lusa) — O ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, afirmou esta quarta-feira, na Assembleia da República, que a língua portuguesa "nunca vai ser uma língua oficial" da Organização das Nações Unidas (ONU) devido aos custos. O tema foi trazido a debate pelo deputado do Livre, Rui Tavares, durante a audição regimental da Comissão Parlamentar dos Negócios Estrangeiros e Comunidades Portuguesas, na qual questionou o chefe da diplomacia sobre o objetivo histórico de oficializar o português até 2030. Rui Tavares alertou que o fim do mandato do secretário-geral, António Guterres, representa o encerramento de uma "janela de oportunidade" estratégica.
Em resposta, Paulo Rangel garantiu que a presença de um português na liderança da organização não altera a realidade do processo e que o esforço financeiro exigido é muito grande. Segundo o governante, tanto Portugal como o Brasil demonstraram disponibilidade para suportar os encargos, mas a dimensão dos custos é enorme e, apesar de já terem avaliado várias opções, não tem sido possível avançar com a ideia. O executivo assume que continua a analisar como fazer e a avaliar de que forma a medida poderia ser compensatória.
A ambição de elevar o português ao estatuto de língua oficial das Nações Unidas até ao ano de 2030 foi aprovada numa proposta na cimeira da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) que decorreu em Brasília, em 2016. Além disso, o desígnio tem figurado nos programas do Governo liderados pela coligação PSD-CDS-PP desde 2024, mas esbarra agora na barreira orçamental descrita pelo ministro.