Almada, 18 de junho de 2026 (Lusa) — As grandes tempestades que fustigaram a costa portuguesa no último inverno transformaram profundamente a praia da Fonte da Telha, no concelho de Almada. O alerta partiu da Âncora – Associação de Nadadores-Salvadores local, que detetou uma alteração radical na orla costeira e no fundo do mar, o que já resultou num pico invulgar de 12 salvamentos entre o final de maio e o passado dia 11 de junho.
Armando Abelho, coordenador e nadador-salvador da associação, explicou à Agência Lusa que a zona balnear — historicamente conhecida pela sua tranquilidade e segurança — esconde agora perigos invisíveis. De acordo com o especialista, o mau tempo modificou a morfologia subaquática até à Lagoa de Albufeira, originando dois agueiros permanentes (correntes de retorno fortes que puxam os banhistas para o largo) em locais onde antes não existiam. "Conhecia isto como as palmas da minha mão. Hoje já não posso dizer o mesmo", desabafou o responsável, apelando ao respeito rigoroso pelas sinalizações.
A juntar à imprevisibilidade do mar, as equipas de socorro enfrentam dois problemas graves em terra: o caos no trânsito e a falta de mão de obra. O estacionamento desordenado ao longo dos acessos à praia tem bloqueado a passagem de ambulâncias em situações de emergência. Para mitigar o problema, a Câmara Municipal de Almada avançou com um plano para criar bolsas de estacionamento na Aroeira e um sistema de transporte público em vaivém, além de restrições de acesso automóvel quando a capacidade da praia esgotar.
No plano humano, a associação admite que este está a ser "um ano péssimo" para o recrutamento de vigilantes, fruto de uma perda de atratividade da profissão junto dos jovens. À semelhança do que acontece noutras praias do país, a escassez de candidatos em território nacional obrigou a associação a recorrer à contratação de nadadores-salvadores estrangeiros, oriundos do Brasil e da Argentina, para garantir a segurança mínima estipulada.