Lisboa, 18 de junho de 2026 (Lusa) — Uma investigação desenvolvida por cientistas da Universidade Nova de Lisboa revelou que o urso pardo sofreu uma perda drástica de tamanho na Península Ibérica, registando uma redução superior a 50% ao longo de vários milénios.
O projeto centrou-se na evolução e capacidade de adaptação do urso pardo (Ursus arctos) durante o período do Plistocénico, algures entre há 2,5 milhões e 11,7 mil anos. Os dados apurados revelam que os espécimes pré-históricos eram muito maiores e mais corpulentos do que os exemplares modernos, chegando a registar pesos acima dos 300 quilos. Em contrapartida, as populações atuais desta espécie apresentam valores substancialmente mais baixos, com os machos a rondar os 140 quilos e as fêmeas fixando-se perto dos 100 quilos.
A Faculdade de Ciências e Tecnologia da instituição (NOVA FCT) esclareceu, em nota de imprensa, que esta quebra acentuada na escala corporal dos animais está diretamente ligada à crescente interferência humana e à degradação dos ecossistemas onde habitavam, fatores que moldaram o percurso evolutivo recente destes grandes mamíferos. O trabalho permitiu desenhar um novo mapa sobre a evolução da espécie na região, associando as transformações físicas a variações climáticas e geográficas.
O trabalho científico teve como ponto de partida o estudo minucioso de mais de meio milhar de peças fósseis recolhidas em seis localizações arqueológicas em Portugal, com destaque para cavidades naturais localizadas em Tomar, Peniche, Cadaval, Alcobaça, Montemor-o-Novo e Torres Novas. No nosso país, as ações humanas ditaram o desaparecimento total do urso pardo ainda no decorrer do século XIX, não tendo sido detetados, até à data, indícios fósseis de qualquer outra espécie de urso no território nacional.
Os peritos concluíram ainda que o urso pardo chegou a assumir um papel ecológico muito semelhante ao do já desaparecido urso-das-cavernas, desenvolvendo inclusive traços morfológicos parecidos em locais onde essa espécie concorrente não estava presente. O estudo foi assinado pelo investigador Darío Estraviz-López, no âmbito do seu doutoramento, e pela investigadora de pós-doutoramento María Ríos, contando com o apoio de especialistas de outros países.