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Maioria de refugiados em Portugal provém de África e América Latina
Relatório do Observatório das Migrações sublinha a necessidade de envolver as autarquias no acolhimento para descentralizar a integração além das grandes cidades.
Por Redação
Publicado em 19/06/2026 14:20
Nacional
@Lusa

Carregal do Sal, Viseu, 19 de junho de 2026 (Lusa) — A maior parte dos refugiados que procuram proteção em Portugal tem como origem países do continente africano e da América Latina. A conclusão foi avançada esta sexta-feira à Agência Lusa por Pedro Góis, diretor científico do Observatório das Migrações, com base nos dados do mais recente relatório da instituição.

À margem da conferência “Refugiados: Um Desafio Global, Uma Responsabilidade Comum”, que decorreu em Carregal do Sal — terra natal do cônsul Aristides de Sousa Mendes —, o responsável explicou que a rota destas comunidades para Portugal se deve a fatores de proximidade linguística e cultural, à existência de ligações aéreas diretas e ao suporte de redes de contacto já estabelecidas no país.

Em termos comparativos, Portugal acolhe um volume de refugiados substancialmente inferior ao de nações vizinhas, como Espanha, que lida diretamente com a chegada massiva de migrantes na linha da frente, designadamente no sul do território e nas Ilhas Canárias. No entanto, o investigador e professor de Economia na Faculdade de Coimbra antecipa que o panorama nacional mude no futuro, sendo expectável que o país venha a receber novos grupos humanos.

O estudo realça que, para responder a esta realidade, Portugal precisa de migrar para um modelo de acolhimento mais integrado. Pedro Góis defende que as autarquias devem assumir um papel preponderante, uma vez que a integração efetiva ocorre à escala local. A descentralização permitiria ainda aproveitar o potencial desta população jovem para combater o envelhecimento demográfico no interior e colmatar falhas no mercado de trabalho.

Atualmente, o acolhimento português peca por estar excessivamente concentrado nos grandes centros urbanos, onde se localizam as principais estruturas de apoio. O diretor do Observatório propõe uma distribuição mais equitativa pelo território nacional através de uma estratégia estruturada a longo prazo, que inclua a criação de novos centros de acolhimento em várias regiões.

Num momento global em que os fluxos de migrações forçadas continuam a aumentar e as soluções de asilo escasseiam nas principais potências da Europa e nos Estados Unidos, o especialista apela à resiliência humanitária perante o discurso anti-imigração. "A curto prazo é mantermo-nos humanos. Não desistir desta nossa capacidade de acolher", concluiu.

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