Anadia, Aveiro, 20 de junho de 2026 (Lusa) — O líder do PSD e primeiro-ministro abre este sábado os trabalhos do 43.º Congresso Nacional do partido, sediado em Anadia (distrito de Aveiro). A reunião magna arranca num ambiente político tenso, precisamente 24 horas após o Chega ter chumbado o novo pacote de leis laborais, uma iniciativa legislativa que o Executivo considerava fundamental para a competitividade do país.
Tanto Luís Montenegro como o líder do grupo parlamentar social-democrata, Hugo Soares, responsabilizaram diretamente o partido de André Ventura pelo fracasso da lei. Ambos acusaram a força política de colocar em risco o equilíbrio financeiro da Segurança Social ao condicionar a aprovação do diploma a uma exigência irredutível: a redução da idade de reforma.
Esta reviravolta inesperada acontece depois de, na quinta-feira, Hugo Soares e André Ventura terem sinalizado que a revisão do Código do Trabalho seria viabilizada na generalidade, antecipando conquistas para a classe trabalhadora. Contudo, na sexta-feira, o documento acabou por cair com os votos contra da esquerda e do Chega. Perante este novo cenário, o tom do Congresso — que se previa pacífico — deverá mudar substancialmente, sendo que o primeiro-ministro guardou para o seu discurso uma reação política mais incisiva.
A partir de Bruxelas, Montenegro garantiu que o Governo não vai baixar os braços no desígnio de modernizar e tornar a economia nacional mais produtiva, manifestando ainda uma total solidariedade e confiança no trabalho da ministra do Trabalho. Nos dias anteriores, a liderança do PSD tinha focado as suas críticas no PS de José Luís Carneiro, apelidando-o de "força de bloqueio" por empurrar o Executivo a negociar com o Chega. Espera-se agora que os ataques sejam distribuídos em partes iguais aos dois maiores partidos da oposição durante o evento.
O evento tem início agendado para as 10:00 no Velódromo Nacional de Sangalhos. A primeira etapa será a discussão da moção de estratégia global intitulada “Trabalhar – Fazer Portugal Maior”, documento com o qual Montenegro foi reeleito sem oposição interna no final de maio, arrecadando 95% dos votos. Na moção, que será votada ao final da noite, o líder assume o compromisso de governar sem alianças formais com o PS ou com o Chega, embora recuse o conceito de "cercas sanitárias" no Parlamento.
Ao longo do dia serão debatidas as 18 propostas temáticas enviadas pelas distritais, eurodeputados e organizações autónomas. O prazo para apresentar candidaturas aos órgãos nacionais termina às 18:00. São esperadas alterações na Comissão Política Nacional, com a provável saída de ministros do núcleo duro e a entrada de figuras de peso do poder local. Apesar do controlo da direção, haverá uma lista alternativa para o Conselho Nacional, liderada por André Pardal, que se assume como uma voz de "consciência crítica" e não de oposição frontal. O congresso conta com a presença de cerca de 900 delegados e centenas de observadores.