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Ventura diz que tentou consenso “até à última” e rejeita “cálculo político” no chumbo da lei laboral
O líder do Chega garantiu que não vai ser "muleta do Governo" e justificou o voto contra com a intransigência do Executivo em recuar na idade da reforma e cortar pensões milionárias.
Por Redação
Publicado em 20/06/2026 09:40 • Atualizado 20/06/2026 09:41
Nacional
@Lusa

Lisboa, 19 de junho de 2026 (Lusa) — O líder do Chega, André Ventura, assegurou esta sexta-feira que esgotou todos os prazos e esforços para alcançar um entendimento com o Governo liderado pelo PSD em torno da revisão do Código do Trabalho. Numa declaração pública feita na sede nacional do partido, em Lisboa — e onde não permitiu perguntas por parte da comunicação social —, Ventura afastou qualquer cenário de estratégia ou tática eleitoralista atrás da decisão de chumbar o documento.

O presidente do Chega argumentou que a sua consciência e o compromisso assumido com o seu eleitorado o impediram de viabilizar uma proposta que, a seu ver, penalizaria fortemente a classe trabalhadora e penalizaria o tecido económico nacional. "A lógica e o objetivo não é ser muleta do Governo, é corrigir os erros do Governo e fazer uma oposição responsável", atirou, demarcando a autonomia do partido face à coligação governamental.

Para justificar o colapso das negociações, André Ventura apontou o dedo à inflexibilidade do Executivo em várias matérias que considerava fundamentais. O líder do Chega queixou-se de que o Governo não aceitou baixar nem um único dia à idade da reforma, rejeitando até a proposta de congelar o seu aumento temporariamente enquanto uma comissão estudava o cenário. Além disso, o Executivo descartou a introdução de tetos máximos para as pensões mais elevadas do país, alegando riscos para a Segurança Social, e travou o fim das subvenções vitalícias com o argumento de que a medida levantaria entraves constitucionais.

O diploma acabou por ser rejeitado no Parlamento na generalidade, depois de o Chega se ter aliado aos partidos de esquerda na hora de votar contra, consumando a primeira grande rutura legislativa com o Executivo de Luís Montenegro.

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