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Marcha do Orgulho LGBTI+ reúne centenas no Porto e alerta para “retrocesso” de direitos
A 21.ª edição do evento evocou a memória de Gisberta Salce, assassinada há duas décadas na cidade, e serviu de aviso contra a perda de conquistas sociais da comunidade trans.
Por Redação
Publicado em 27/06/2026 22:28
Sociedade
@Lusa

Porto, 27 de junho de 2026 (Lusa) — A cidade do Porto foi esta tarde palco da 21.ª Marcha do Orgulho LGBTI+, uma iniciativa que mobilizou centenas de participantes no centro da Invicta. O desfile deste ano assumiu um forte tom de protesto, com os manifestantes a sublinharem a urgência de "lembrar para não repetir" o homicídio de Gisberta Salce, ocorrido em 2006, e a denunciarem o que consideram ser um recuo nos direitos das pessoas transexuais.

Sob o lema orientador “Por Gisberta, Por um Abril que ainda não aconteceu!”, a comitiva concentrou-se na Praça da República por volta das 15:30, juntando inicialmente mais de 300 pessoas, antes de seguir em direção ao Largo Amor de Perdição. Em declarações à Agência Lusa, Luís Torres, membro da comissão organizadora, explicou que o evento equilibra a celebração das duas décadas desde a primeira marcha na cidade com o dever cívico de homenagear a cidadã brasileira sem-abrigo assassinada por um grupo de jovens devido à sua identidade de género.

Os promotores do desfile alertaram para o impacto que as atuais crises na habitação e no Serviço Nacional de Saúde têm nas franjas mais desprotegidas da população, criando um terreno fértil para que surjam "novas Gisbertas" — indivíduos isolados, sem ecrãs de apoio social e vulneráveis à violência urbana. De acordo com a organização, as recentes alterações legislativas e a conjuntura socioeconómica sinalizam uma perda contínua de garantias para a comunidade trans.

Apesar da seriedade dos avisos, o evento manteve o seu habitual espírito festivo. Ao longo do percurso, os participantes contaram com atuações de artistas queer, apontamentos musicais e carrinhas de animação, além de estruturas dedicadas à triagem e sensibilização para a saúde sexual. João Anjos, um dos cidadãos presentes, realçou a importância do formato para instruir a população e quebrar antigos tabus que ainda persistem por desconhecimento.

A dinâmica da manifestação captou também o interesse de vários turistas que passeavam pela Invicta. Carl, um visitante de nacionalidade alemã, expressou à Lusa a sua surpresa pelo facto de um evento com tamanha longevidade não constar dos roteiros turísticos oficiais da cidade, após ter sido informado pelos manifestantes sobre o contexto histórico da marcha e o legado trágico de Gisberta. O encerramento do desfile ficou marcado para o final da tarde no Largo Amor de Perdição, com a leitura de manifestos políticos e intervenções culturais.

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