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Utentes sem médico de família crescem em 2025
Conselho das Finanças Públicas lança alerta para a perda de fôlego do SNS, agravada pelo envelhecimento dos clínicos da área, com mais 41 mil pessoas sem médico atribuído.
Por Redação
Publicado em 29/06/2026 12:10
Nacional
@Lusa

Lisboa, 29 de junho de 2026 (Lusa) — O Serviço Nacional de Saúde (SNS) voltou a registar um retrocesso na cobertura de cuidados primários. No decorrer de 2025, o número de cidadãos sem médico de família subiu em 41 mil, quebrando o ciclo de recuperação que se tinha verificado no ano transato. O alerta consta do relatório anual do Conselho das Finanças Públicas (CFP) apresentado hoje em Lisboa.

De acordo com a análise da instituição independente liderada por Nazaré da Costa Cabral, o contingente de utentes sem clínicos atribuídos fixou-se nos 1,56 milhões em Portugal continental. A distribuição destas falhas no sistema é profundamente desigual, com a região de Lisboa e Vale do Tejo a acumular a fatia esmagadora da crise, registando cerca de 1,1 milhões de pessoas nesta situação.

O CFP sublinha que esta tendência negativa é especialmente preocupante face ao perfil demográfico da própria classe médica. Cruzando dados da Ordem dos Médicos, o organismo destaca que, dos 9.343 especialistas em Medicina Geral e Familiar inscritos no fecho de 2024, quase metade (45%) já tinha mais de 65 anos. A vaga expectável de reformas ameaça estrangular ainda mais os centros de saúde, empurrando as populações para as urgências dos hospitais.

Embora o número global de cidadãos inscritos no SNS tenha escalado para os 10,7 milhões (mais 235 mil do que no ano anterior), o acesso efetivo permanece comprometido pelas assimetrias regionais. Prova disso é que cerca de um quarto destes utentes (24%) continua a depender das Unidades de Cuidados de Saúde Personalizados (UCSP), estruturas típicas de zonas com maiores barreiras à fixação de clínicos de carreira.

A par da falta de cobertura, o volume de consultas médicas nos cuidados primários recuou ligeiramente em 2025 (-0,9%). Esta contração deveu-se exclusivamente à quebra de 4% nas consultas presenciais, uma vez que o atendimento remoto (não presencial) manteve uma rota de subida (3,3%).

Nas conclusões finais, o regulador das finanças públicas adverte que os rácios de utilização das consultas médicas e de enfermagem continuam claramente "aquém" do desejável, evidenciando que a máquina do SNS ainda não tem a capacidade necessária para dar uma resposta cabal às exigências da população.

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