Santa Maria da Feira, 29 de junho de 2026 (Lusa) — O primeiro-ministro português manifestou hoje a sua profunda dor e solidariedade para com a população da Venezuela, afetada pelos violentos sismos da passada quarta-feira. Luís Montenegro fez questão de dirigir uma mensagem de condolências e alento, lembrando em particular as perdas sofridas pelos cidadãos portugueses e luso-descendentes radicados naquele país da América Latina.
"Não posso deixar de, nesta ocasião, partilhar convosco um momento que é simultaneamente de dor, de pesar por tudo o que o país está a sofrer por estes dias", declarou o chefe do Executivo durante o seu discurso na cerimónia que marcou o início das obras da nova unidade industrial da Lufthansa Technik, localizada em Santa Maria da Feira.
Montenegro justificou o simbolismo do local, recordando que a região da Feira tem fortes laços históricos de emigração com a Venezuela, albergando inclusivamente a sede do Centro Luso-Venezuelano. Sem prestar declarações aos jornalistas à margem do evento, o governante reiterou o empenho total de Portugal no auxílio às missões de busca e salvamento nos escombros.
"Quero enviar à Presidente da Venezuela, a todo o povo venezuelano e aos portugueses e luso-descendentes que lá vivem a garantia de que, além das equipas que já mobilizámos e que estão no terreno, tentaremos nos próximos meses e anos estar ainda mais perto daquele povo", assegurou o primeiro-ministro, apontando para um esforço contínuo na reconstrução de um futuro mais próspero na região.
Os sismos gémeos de magnitude 7,2 e 7,5 na escala de Richter, que abalaram o território venezuelano a 24 de junho com escassos segundos de intervalo, já provocaram pelo menos 1.450 vítimas mortais e mais de 3.150 feridos, segundo as autoridades locais. Os dados das Nações Unidas estimam ainda que haja mais de 50 mil desaparecidos.
A tragédia tocou diretamente a diáspora portuguesa. O balanço mais recente do Ministério dos Negócios Estrangeiros contabiliza 53 mortos de nacionalidade portuguesa ou de origem lusa, entre os quais se encontram oito crianças. Adicionalmente, permanecem incontactáveis ou desaparecidos 89 cidadãos nacionais (52 homens e 37 mulheres).
A resposta internacional da União Europeia e de Portugal já se traduziu no envio de operacionais de socorro e salvamento. A equipa de resgate destacada pelo Governo português estabeleceu o seu quartel-general em Catia la Mar, na região de La Guaira — uma das zonas mais fustigadas pelos abalos e historicamente conhecida pela forte densidade de residentes portugueses.