Lisboa, 29 de junho de 2026 (Lusa) — Várias organizações sindicais e movimentos cívicos de docentes uniram-se hoje para denunciar o que descrevem como um cenário de "caos" absoluto no processo de classificação dos exames nacionais. O setor aponta dezenas de irregularidades na transição para o modelo digital e avança com exigências firmes de esclarecimento junto do Ministério da Educação.
Como forma de protesto e documentação, o movimento cívico MetaPROF lançou uma plataforma online batizada de “Exames 2026: O caos documentado”. Até ao início da tarde de hoje, o portal já tinha centralizado quase 60 queixas formais de professores, reunindo relatórios de anomalias, testemunhos reais e minutas para contestação jurídica junto do Júri Nacional de Exames (JNE) e da Provedoria de Justiça.
A indignação é partilhada pelo Sindicato de Todos os Profissionais da Educação (Stop), que alertou para uma das piores "crises organizacionais" já registadas no ensino em Portugal. Segundo os relatos, além do bloqueio no envio de credenciais de acesso às plataformas, a lista de falhas inclui o recrutamento de professores de áreas totalmente diferentes da prova em causa, docentes já aposentados e, no limite do absurdo, a convocação de profissionais que já faleceram. São também reportadas anomalias em exames com folhas em falta e caligrafias diferentes na mesma prova de um aluno.
Embora o Júri Nacional de Exames tenha assegurado que a classificação digital está numa "fase de recuperação" após ultrapassar contratempos informáticos, a Federação Nacional da Educação (FNE) considerou as justificações insuficientes. A FNE veio exigir explicações urgentes ao Instituto de Educação, Qualidade e Avaliação (EduQA), defendendo que falhas nesta escala põem em causa o futuro académico dos estudantes e justificam a demissão imediata dos líderes daquela instituição.
Da mesma forma, o movimento SOS Escola Pública acusa a tutela de ter substituído o antigo instituto de avaliação (IAVE) "à pressa" para simular uma reforma administrativa. O movimento critica a pressão exercida sobre diretores e professores que se desdobram para gerir as falhas geradas pela incompetência central.
As repercussões estendem-se também aos prazos de acesso ao ensino superior, dado que a correção digital inédita de milhares de testes em papel tem de estar fechada até ao dia 10 de julho. O Stop avisa que o aperto nos calendários pode resultar em avaliações deficientes e gerar profundas assimetrias e injustiças para os alunos. As pautas da primeira fase têm publicação marcada para 14 de julho, abrindo o concurso nacional de acesso à universidade no dia 20 do mesmo mês.