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SNS faturou 468 ME em quase 20 milhões de horas extra em 2025
Relatório do Conselho das Finanças Públicas expõe dependência crónica de trabalho suplementar e listas de espera para cirurgia em níveis recorde.
Por Redação
Publicado em 29/06/2026 14:40
Nacional
@Lusa

Lisboa, 29 de junho de 2026 (Lusa) — O esforço financeiro do Serviço Nacional de Saúde (SNS) para garantir a assistência aos utentes disparou em 2025. As Unidades Locais de Saúde (ULS) canalizaram um montante recorde de 468 milhões de euros para o pagamento de trabalho suplementar, traduzindo-se num crescimento de 11,4% face ao ano transato e totalizando quase 20 milhões de horas extra realizadas nos hospitais e centros de saúde.

A radiografia consta do mais recente relatório do Conselho das Finanças Públicas (CFP), apresentado hoje na capital. O documento emitido pela instituição independente liderada por Nazaré da Costa Cabral clarifica que este recurso massivo a horas extraordinárias reflete as "dificuldades persistentes na resposta" do sistema público e uma pressão asfixiante sobre médicos e enfermeiros.

No total, contabilizaram-se 19,8 milhões de horas extraordinárias em todo o ecossistema do SNS. A classe médica assumiu a maior fatia deste bolo, sendo responsável por 36% do volume total (7,1 milhões de horas), seguida de perto pelos enfermeiros, que acumularam 31,5% do tempo suplementar registado (6,2 milhões de horas).

As ULS de Coimbra, de Santa Maria e de São José, em Lisboa, destacaram-se no topo das entidades mais dependentes deste mecanismo, somando juntas cerca de 92 milhões de euros deste encargo global. O CFP justifica estes dados pelo elevado perfil de diferenciação destas unidades, que servem de polos de referência nacional para casos clínicos complexos de todo o país.

Além do esforço interno, as carências de pessoal obrigaram o SNS a injetar 265 milhões de euros na contratação externa de prestadores de serviços médicos (os chamados médicos tarefeiros) — uma subida de 37 milhões de euros comparativamente a 2024. As ULS do Algarve, Médio Tejo e Oeste concentraram perto de um quinto deste mercado de contratação, que o Ministério da Saúde tenta agora travar e regular através de um novo regime de incompatibilidades aprovado em Conselho de Ministros.

O panorama laboral fica ainda marcado por níveis preocupantes de absentismo, fixado numa média de 9,5% em todo o setor, com especial incidência entre os médicos internos (13,4%) e os técnicos auxiliares de saúde (11,7%).

O diagnóstico do CFP estende-se à atividade cirúrgica, revelando um paradoxo: apesar de o SNS ter operado mais doentes do que nunca através do programa SIGIC (744 mil intervenções), a procura disparou a um ritmo ainda maior. Mais de 890 mil utentes entraram na lista de inscritos para cirurgia, empurrando o número de cidadãos ativamente em espera para os 274 mil, o valor mais alto alguma vez registado na série estatística do conselho regulador.

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