Lisboa, 29 jun 2026 (Lusa) — O Executivo português colocou hoje em cima da mesa um plano estratégico focado na retenção de energia através de sistemas de baterias e de bombagem de água nas barragens. O grande objetivo desta medida passa por cobrir as falhas de produção nos momentos de escassez, reforçar a autonomia energética do país e ajudar a equilibrar os valores cobrados aos consumidores. O documento, batizado de Estratégia Nacional de Armazenamento, foi desenvolvido com o suporte científico do INESC-TEC e do Instituto Superior Técnico, preparando-se agora para avançar para a fase de discussão pública.
Segundo explicou a ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, o modelo final dependerá da escolha do cenário que recolher maior consenso, mas envolverá sempre uma combinação de ambas as tecnologias. Contudo, enquanto o armazenamento químico por via de baterias avança sem grandes entraves regulatórios internacionais, o plano hídrico necessita do aval prévio da Comissão Europeia devido às regras comunitárias sobre ajudas estatais. A governante mostrou-se otimista quanto à rapidez destas conversações em Bruxelas, prevendo lançar o primeiro concurso público para o setor da água ainda antes do fecho deste ano.
A governante justificou a urgência do plano com a necessidade de reter a eletricidade limpa produzida em momentos em que a oferta supera a procura, evitando o desperdício para a utilizar nas horas de maior consumo. Como incentivo local, as câmaras municipais que acolham os primeiros leilões para a instalação de baterias vão receber uma contrapartida financeira correspondente a 2,5% da faturação anual dos projetos. A par desta estratégia, Maria da Graça Carvalho revelou ainda que a nova linha de muito alta tensão que liga o Alto Minho à Galiza será oficialmente inaugurada já na próxima quinta-feira, dia 2 de julho, num investimento conjunto de 44 milhões de euros que decorria desde o verão de 2024.