Londres, 30 jun 2026 (Lusa) – As fontes de energia limpa lideraram o aumento do fornecimento global de eletricidade e combustível ao longo do ano de 2025, assinalando um marco histórico ao registarem este comportamento fora de uma conjuntura de quebra económica generalizada. O dado consta do mais recente relatório "Revisão da Energia Mundial", desenvolvido pelo Instituto de Energia, uma entidade setorial com sede em Londres. O estudo evidencia que, apesar das crescentes tensões internacionais que ameaçam a estabilidade do abastecimento, o consumo energético global não parou de subir. O Fornecimento Total de Energia (TES) registou uma progressão de 1,7% em 2025, impulsionando os principais recursos energéticos do planeta para picos de produção históricos pelo segundo ano consecutivo.
O documento pormenoriza o desempenho regional, destacando que o continente europeu assistiu a uma expansão de 7% no aproveitamento de recursos renováveis. Do outro lado do Atlântico, os Estados Unidos da América viram a captação solar disparar 28%, contrastando com um avanço mais tímido de 3% no segmento da energia eólica. Paralelamente, o ecossistema tecnológico associado à transição ecológica viu a capacidade das infraestruturas de armazenamento de baterias crescer 66%, consolidando-se como uma das soluções industriais com maior ritmo de implementação a nível global. O relatório, desenhado em parceria com o laboratório de ideias Ember, salienta ainda que a extração petrolífera nas Américas subiu 4,8%, uma almofada produtiva que se revelou essencial para contrariar os impactos logísticos e comerciais decorrentes da crise militar com o Irão.
Embora a região da Ásia-Pacífico continue a posicionar-se como o principal polo gerador do consumo de combustíveis fósseis tradicionais, os analistas sublinham que este bloco xeque-mate está a acelerar a eletrificação das suas redes com um rácio de consumo poluente por habitante significativamente mais baixo do que o verificado nas potências ocidentais. Neste novo panorama, o vetor elétrico ganhou terreno e cresceu 3% no cômputo do sistema geral. O líder executivo da Ember, Aditya Lolla, enfatizou que esta transformação do mercado obedece a pressões de rendibilidade económica e resiliência estratégica, lembrando que a segurança dos Estados assenta agora na diversificação de fornecedores e na quebra de dependências externas. O estudo conclui que as verbas aplicadas em frotas elétricas, redes fotovoltaicas e acumuladores garantem uma eficiência estrutural valiosa, opondo-se ao modelo fóssil convencional, que dissipa perto de dois terços do seu potencial energético em perdas térmicas e logísticas através de redes de distribuição altamente expostas a riscos geopolíticos.