Lisboa, 10 jun 2026 (Lusa) — As taxas de rentabilidade associadas aos títulos da dívida soberana de Portugal registaram uma trajetória de valorização na abertura da sessão de negociação desta quarta-feira, averbando subidas nos prazos de maturidade a dois, cinco e dez anos face aos valores de fecho da véspera. Este movimento de agravamento dos custos de financiamento nacional alinhou-se com o comportamento verificado nos mercados de capitais para os títulos de Espanha, Grécia e Itália, tendo afetado igualmente as obrigações alemãs, ainda que de forma circunscrita ao prazo mais longo. Nas primeiras horas da manhã na praça financeira de Lisboa, os juros exigidos pelos investidores para a dívida a dez anos progrediram para os 3,429%, uma fasquia que contrasta com os 3,417% contabilizados no final do dia de terça-feira.
O cenário de subida estendeu-se com idêntica expressão às maturidades intermédias e de curto prazo da República Portuguesa. No mercado secundário, a taxa de rendimento das obrigações com maturidade a cinco anos fixou-se nos 2,923%, superando a marca anterior de 2,905%, ao passo que os títulos a dois anos escalaram para os 2,654%, distanciando-se do registo de 2,627% verificado na sessão transata. Em simultâneo, os juros associados às obrigações da Alemanha a dez anos — ativo que serve de bitola e é encarado pelos analistas internacionais como o porto de abrigo mais seguro no espaço europeu — também averbaram uma ligeira subida na negociação, passando de 3,042% para 3,055%.
Esta pressão conjunta nos custos de emissão de dívida fez-se sentir de forma transversal em todo o bloco periférico da Zona Euro, com a plataforma financeira Bloomberg a espelhar uma revisão em alta nos juros exigidos pelos mercados para a aquisição de novos títulos em carteira. No caso do mercado espanhol, as taxas a dez anos fixaram-se nos 3,493%, enquanto os títulos da Grécia e de Itália para a mesma maturidade avançaram, respetivamente, para patamares de 3,763% e 3,815%, confirmando um ambiente de maior volatilidade e exigência por parte dos investidores internacionais no arranque da jornada macroeconómica de meados da semana.