Bruxelas, 30 jun 2026 (Lusa) — A contagem dos animais de exploração pecuária no espaço comunitário voltou a confirmar em 2025 o cenário de contração estrutural que se vem a verificar desde 2015, registando-se um recuo generalizado em todas as espécies, com especial incidência na criação de cabras, que sofreu um tombo de 17,5% no espaço de uma década, segundo os dados oficiais publicados esta terça-feira pelo Eurostat. O gabinete de estatísticas da União Europeia detalha que o censo pecuário de 2025 contabilizou cerca de 131,5 milhões de porcos, 71,6 milhões de vacas, 55,3 milhões de ovelhas e 10,2 milhões de cabras. Quando comparados com o balanço do ano transato, todos os indicadores setoriais recuaram, tendo a criação de suínos descido 0,5%, a de bovinos 0,4%, a de ovinos 2,2% e a de caprinos 2,5%.
Esta contração progressiva consolida um declínio acentuado a longo prazo em todo o território europeu. Na análise retroativa desenvolvida pelo Eurostat face ao ano de 2015, a quebra acumulada no universo dos suínos atingiu os 8,9%, ao passo que o efetivo de bovinos encolheu 9,7% e o universo de ovinos recuou 12,2% no mesmo intervalo temporal. Confrontada com estes indicadores, a porta-voz da Comissão Europeia para a área da Agricultura, Louise Bogey, fez questão de evidenciar o peso estratégico e a relevância económica e social que a atividade pecuária representa para o bloco comunitário, sendo responsável por cerca de 40% do valor acrescentado bruto do setor agrícola europeu e por movimentar um volume de negócios anual na ordem dos 400 mil milhões de euros.
A representante do executivo de Bruxelas justificou esta quebra continuada no número de explorações com o conjunto complexo de adversidades estruturais que os produtores têm enfrentado em anos recentes, destacando o impacto severo das mutações climáticas, a forte instabilidade e oscilação dos mercados internacionais, a eclosão de surtos de patologias infecciosas no gado e as novas pressões e padrões de exigência ecológica e ética por parte dos consumidores. Perante este panorama de vulnerabilidade, Louise Bogey anunciou que a Comissão Europeia tem agendada para o próximo dia 7 de julho a apresentação oficial da nova Estratégia para a Pecuária, um plano que visa desenhar um ecossistema produtivo consideravelmente mais robusto, competitivo e adaptado aos desafios globais contemporâneos.