Lisboa, 02 jul 2026 (Lusa) — As Forças Armadas aumentaram a sua capacidade operacional no terreno para apoiar a vigilância e a prevenção de fogos florestais. O dispositivo militar passou a contar, desde quarta-feira, com 50 patrulhas terrestres formadas por efetivos do Exército e da Marinha espalhados por vários concelhos, além de um reforço substancial da monitorização aérea assegurada por drones da Força Aérea e da Marinha.
Segundo o Estado-Maior-General das Forças Armadas (EMGFA), os militares mantêm também equipas de engenharia e um pelotão em prevenção permanente para ajudar em trabalhos de rescaldo. Para além disso, no âmbito do Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Rurais (DECIR), a Força Aérea disponibilizou dois helicópteros Koala para missões de coordenação e, pela primeira vez, dois helicópteros Black Hawk dedicados ao ataque direto às chamas. Desde a primavera que os militares têm colaborado na prevenção, tendo já desobstruído 850 quilómetros de acessos florestais nas regiões mais fustigadas pelos temporais de inverno.
Este reforço coincide com a decisão do Governo de decretar a situação de alerta entre sexta-feira e segunda-feira, motivada pela severa subida do risco de incêndio devido ao calor extremo. A Proteção Civil já elevou o estado de prontidão para o nível III e ativou a capacidade máxima do DECIR, que contará com mais de 15 mil operacionais e 81 meios aéreos até ao final de setembro. O alerta surge num ano particularmente difícil: os dados provisórios mostram que o número de fogos e a área ardida (que já ultrapassa os 14 mil hectares, sobretudo no Norte) duplicaram em comparação com o mesmo período de 2025, registando o pior cenário de destruição florestal desde 2017.