Lisboa, 06 jul 2026 (Lusa) — O Chega vai avançar com um pedido de debate de urgência na Assembleia da República para confrontar o ministro da Educação com os graves problemas informáticos que estão a afetar a correção das provas do secundário. O líder do partido, André Ventura, classificou os episódios recentes como "falhas brutais" que minam a estabilidade de toda a comunidade escolar, mas descartou, por agora, a criação de uma comissão parlamentar de inquérito.
Em conferência de imprensa na sede nacional do partido, em Lisboa, Ventura confirmou que o requerimento deu entrada esta segunda-feira, com o objetivo de forçar o ministro Fernando Alexandre a dar explicações "já na próxima semana, antes do debate do Estado da Nação". O líder do Chega relatou que, logo pela manhã de hoje, a plataforma de avaliação digital voltou a registar quebras de sistema e acusou a tutela de vender uma "revolução de eficiência" que acabou por se transformar numa "revolução de incompetência".
Questionado sobre a hipótese de o processo vir a ser alvo de um inquérito parlamentar mais formal, André Ventura frisou que o foco atual tem de ser imediato, de forma a tranquilizar pais e professores. "É um instrumento que não descartamos, mas agora é importante assacar responsabilidades ao Governo", argumentou, preferindo ouvir primeiro a equipa ministerial antes de acionar outros mecanismos legislativos.
O líder partidário aproveitou ainda a ocasião para renovar os ataques à viagem do primeiro-ministro, Luís Montenegro, que voou para Dallas para assistir ao jogo da Seleção Nacional de futebol contra a Espanha. Para Ventura, a deslocação do chefe do Executivo constitui uma "contradição" inaceitável numa altura em que o próprio Governo declarou situação de alerta devido ao risco de incêndios florestais. "Dá a ideia de incompetência, mas sobretudo de inconsciência e de falta de empatia para com a população", criticou, defendendo que Montenegro devia permanecer em território nacional a coordenar o combate aos fogos.
confrontado com uma notícia do jornal Público sobre uma sondagem interna encomendada pelo Chega antes de uma votação ligada à legislação laboral, André Ventura desvalorizou o tema, remetendo o assunto para a normalidade partidária: "Temos sondagens várias vezes por ano (...) É uma notícia só que diz mais do órgão de comunicação social que a publicou do que do partido".