O número de queixas formais apresentadas por cidadãos contra a atuação da Polícia de Segurança Pública (PSP) e da Guarda Nacional Republicana (GNR) registou um crescimento acentuado de aproximadamente 60% num intervalo de seis anos. Os dados revelam uma tendência persistente de subida no volume de contestações enviadas às entidades de tutela e de fiscalização da atividade policial em Portugal.
A maior parte destas denúncias prende-se com alegações de excesso de força, linguagem imprópria ou abusos de autoridade durante intervenções na via pública e em contexto de fiscalização rodoviária. Embora as associações socioprofissionais do setor justifiquem o aumento com a maior facilidade de acesso a canais digitais de reclamação e com o desgaste operacional do efetivo, os números estão a reabrir o debate sobre a necessidade de reforçar a transparência e a formação contínua dos agentes.
Perante este cenário, a Inspeção-Geral da Administração Interna (IGAI) e as próprias direções nacionais das polícias têm vindo a acelerar a abertura de inquéritos e processos disciplinares. O objetivo passa por apurar responsabilidades e garantir que os padrões de conduta e proximidade com as populações são rigorosamente cumpridos, num esforço para travar a perda de confiança pública nas instituições de segurança.
Fonte - Lusa