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Habitantes lutam contra o tempo para 'fazer florir' Festas do Povo em Campo Maior
Mais de 4 mil voluntários guardam segredo absoluto na produção de flores de papel, mas temem que o desinteresse dos jovens ameace o Património da Humanidade.
Por Redação
Publicado em 12/07/2026 12:41
Cultura
@Lusa

Campo Maior, Portalegre, 12 jul 2026 (Lusa) — A vila de Campo Maior transformou os seus serões numa autêntica oficina comunitária. Milhares de moradores dedicam as suas noites à criação manual de flores de papel, preparando o regresso das icónicas Festas do Povo, que vão decorrer entre os dias 8 e 16 de agosto deste ano.

O evento popular, que não se realizava desde 2015 e foi classificado em 2021 como Património Cultural Imaterial da Humanidade pela UNESCO, mobiliza atualmente mais de quatro mil voluntários. Entre os locais de produção destaca-se uma antiga padaria que pertenceu ao comendador Rui Nabeiro. Divididos em espaços separados para garantir o segredo absoluto sobre os temas de cada rua, dezenas de moradores trabalham arduamente, pois, como dita a tradição local, "o segredo é a alma do negócio".

Apesar do entusiasmo e da entreajuda — que inclui lanches partilhados e cantares tradicionais alentejanos —, há uma crescente preocupação com o futuro da festividade. Filomena Correia, de 68 anos, e Maria José Silveira, veterana com 60 anos de experiência na moldagem de flores, lamentam a escassez de braços e o aparente desinteresse das novas gerações. Segundo relatos dos residentes, existe uma clara dificuldade em motivar os mais jovens para um trabalho que exige uma enorme "capacidade de sacrifício" e voluntariado puro.

A responsabilidade acrescida pelo 'selo' da UNESCO é, no entanto, o motor que faz avançar quem não desiste da tradição. Fátima Vitorino, uma das responsáveis pela coordenação das ruas, assume o desafio de demonstrar ao mundo a força e a essência do povo campomaiorense, com a meta ambiciosa de engalanar cerca de 100 artérias da vila.

Neste esforço coletivo, as tarefas estão bem distribuídas: enquanto as mulheres dominam a arte delicada dos acabamentos e das pétalas, os homens asseguram a montagem das estruturas pesadas e dos adereços que vão preencher o céu da localidade. Até agosto, a azáfama será diária e o espaço nas habitações continuará a escassear, tudo para que Campo Maior volte a cobrir-se de cor na emblemática noite da enramação.

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