O Ministro da Administração Interna, Luís Neves, quebrou o silêncio sobre as ligações ao empreiteiro João Carvalho, cuja empresa, a Construbarcelos, obteve vários contratos com a Polícia Judiciária (PJ) na altura em que o governante liderava a instituição. Numa entrevista conjunta à TVI e à CNN Portugal, Luís Neves defendeu a legalidade e a transparência das suas relações pessoais e profissionais com o construtor.
O governante explicou que a maior parte dos ajustes diretos e contratos da Construbarcelos com a PJ ocorreram numa fase em que ainda não conhecia o empresário. Para demonstrar a total isenção dos procedimentos, Neves sublinhou ainda que existem registos de concursos públicos em que a empresa de João Carvalho saiu derrotada.
A polémica adensou-se quando o ministro confirmou ter contratado o amigo para prestar aconselhamento e realizar obras na sua habitação privada em São Teotónio. Questionado sobre os contornos financeiros da empreitada, Luís Neves revelou ter entregue, ao longo de vários fins de semana, uma soma total de cinco mil euros em numerário a João Carvalho, verba que descreveu como um "fundo de maneio para pequenas despesas". O ministro assegurou que o valor final da obra ainda não foi totalmente liquidado.
Jornalista aponta contradições na defesa
A versão apresentada pelo governante foi imediatamente contestada por Felícia Cabrita, a jornalista responsável pela investigação que trouxe o caso a público. Em reação às declarações televisivas, a repórter considerou que Luís Neves está a desvalorizar a gravidade da situação.
Felícia Cabrita alertou que a prática de efetuar pagamentos avultados apenas no final dos trabalhos colide com a realidade do setor em Portugal. Segundo a jornalista, a entrevista não dissipou as dúvidas levantadas pela investigação e acabou por expor novas fragilidades e interrogações sobre a transparência do processo e a proximidade entre a tutela da Administração Interna e o fornecedor do Estado.
Fonte - TVI / CNN Portugal