Lisboa, jul 2026 (Lusa) — O líder do Chega, André Ventura, revelou hoje a intenção de abordar diretamente o Primeiro-Ministro, Luís Montenegro, sobre o polémico caso das alegadas ameaças que diz ter sofrido por parte do ministro da Administração Interna, Luís Neves. O partido vai ainda convocar as suas estruturas nacionais para traçar o rumo a seguir.
A declaração foi feita à saída de uma audiência de urgência com o Presidente da República, António José Seguro, solicitada pelo próprio Chega para discutir o "regular funcionamento do Governo". Ventura explicou aos jornalistas que a reunião com a direção nacional do partido só acontecerá após o debate do Estado da Nação, agendado para esta quinta-feira no Parlamento, para não "contaminar" antecipadamente a discussão plenária.
"O senhor Presidente da República aceitou receber-nos rapidamente, tomou nota e registou também as nossas preocupações", sublinhou André Ventura, prometendo usar a tribuna do Parlamento para confrontar o Executivo com o que classifica de "comportamento totalmente inaceitável" por parte do ministro Luís Neves. Questionado sobre a possibilidade de avançar com uma moção de censura ao Governo, o líder do Chega preferiu não se comprometer: "Teremos tempo para fazer essa avaliação".
O diferendo teve origem numa denúncia do Chega relativa a um alegado confronto verbal ocorrido no plenário de 27 de maio, durante o debate quinzenal focado no SIRESP. O partido alega que o ministro da Administração Interna proferiu ameaças a André Ventura, afirmando que este "iria pagar" pelas críticas feitas. Embora o partido tenha divulgado um vídeo do momento legendado nas redes sociais, o áudio das imagens oficiais da ARTV não permite escutar as palavras de Luís Neves, que nega categoricamente ter ameaçado o deputado.