Lisboa, 24 jul 2026 (Lusa) — As exéquias fúnebres do músico e compositor Luís Represas realizam-se esta sexta-feira, em Lisboa, num dia de homenagem nacional a um dos nomes incontornáveis da cultura portuguesa. A cerimónia religiosa começa às 15:00, na Basílica da Estrela, e estará aberta ao público e aos admiradores que queiram prestar a última homenagem, seguindo-se o funeral reservado estritamente ao círculo familiar.
O artista, que comemorava meio século de carreira e tinha concertos agendados nos Coliseus de Lisboa e Porto para 2027, faleceu na passada quarta-feira, aos 69 anos.
Nascido na capital em 1956, Represas marcou a história do pós-25 de Abril ao fundar, em 1976, os Trovante. O grupo renovou a música popular com álbuns emblemáticos como Baile no Bosque (1981) e Cais das Colinas (1983), mantendo uma ligação afetiva com o público que motivou reuniões históricas e salas esgotadas até ao passado mês de março.
A canção "Timor", escrita por João Monge e composta por João Gil, transformou-se num símbolo global da resistência timorense, valendo ao músico a Medalha da Ordem de Timor-Leste e o grau de Comendador da Ordem do Mérito em Portugal.
A partir de 1993, Luís Represas consolidou um percurso a solo de grande sucesso, inaugurado com o álbum gravado em Cuba e imortalizado por temas como Feiticeira, Fora de Tempo e Neva sobre a marginal, até ao lançamento do seu último disco, Miragem, em 2024.
Diplomacia pela Arte: Integrou a comitiva presidencial de Jorge Sampaio em Timor-Leste no ano 2000, reforçando a sua ligação humanitária ao território cuja causa abraçou ativamente.
Pontes Lusófonas e Globais: Ao longo de 50 anos, partilhou estúdio e palco com mestres como Pablo Milanés, Ivan Lins, Carlos do Carmo, Bernardo Sassetti, Gilberto Gil e Phil Collins.