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Artesã porto-santense converte lixo marinho em arte e mantém vivas tradições da ilha
Na Loja do Profeta, Vera Menezes recupera a memória do Porto Santo através do artesanato sustentável e da salvaguarda dos históricos chapéus de palmito.
Por Redação
Publicado em 02/08/2026 10:43
Nacional
@Lusa

Porto Santo, Madeira, 02 ago 2026 (Lusa) — No coração de Vila Baleira, a Loja do Profeta afirma-se como um refúgio da identidade porto-santense pelas mãos de Vera Menezes, designer de formação que dedica o seu trabalho à transformação de resíduos recolhidos nas praias em peças de arte e à preservação de saberes ancestrais em risco de extinção.

O espaço, fundado em 2018, adota o termo histórico com que a população da ilha foi pejorativamente batizada no século XVI, resignificando-o através da criação artística. A artesã de 46 anos recolhe plásticos, vidros e madeiras trazidos pelo mar — com origens que vão das Caraíbas a Marrocos — para moldar esculturas, adornos e objetos decorativos que homenageiam o quotidiano e as memórias de quem visita e habita o Porto Santo. A recolha destas matérias-primas reinterpreta um hábito comunitário antigo de aproveitamento de recursos escassos da ilha, num momento em que a artista alerta também para o aumento de dejetos marinhos recentes nas áreas costeiras.

Além da vertente de sustentabilidade ambiental, o estabelecimento funciona como uma montra viva do património imaterial local. Vera Menezes tornou-se aprendiz e divulgadora da arte dos chapéus de palmito, cuja confeção manual de quatro dias exige técnica rigorosa a partir da folha jovem da palmeira. A tradição, mantida sobretudo pelas irmãs Maria Amélia e Maria Otília Melim, de 95 e 81 anos, enfrenta o desafio de escassez da matéria-prima devido a pragas ambientais, subsistindo através de reservas armazenadas e da adaptação do material a novas peças artesanais contemporâneas.

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