Maputo, 01 set 2026 (Lusa) — O secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, afirmou esta terça-feira em Maputo que o impasse em torno do ministro da Administração Interna, Luís Neves, está a "degradar a autoridade política" das instituições e a fragilizar a figura do primeiro-ministro. Em declarações à margem de um encontro com empresários em Moçambique, o líder socialista alertou que Luís Montenegro não deve dar margem aos "efeitos pirotécnicos" do Chega.
José Luís Carneiro argumentou que a responsabilidade sobre a manutenção do ministro no cargo cabe exclusivamente ao chefe do Executivo, sublinhando que o arrastar da situação alimenta a instabilidade e o ruído político criados pela oposição. O dirigente do PS defendeu por isso a celeridade nas averiguações em curso, de modo a evitar o desgaste contínuo da confiança dos cidadãos nas instituições democráticas.
As críticas da liderança socialista surgem no mesmo dia em que Luís Neves quebrou o silêncio durante uma cerimónia oficial na Madeira, acusado o presidente do Chega, André Ventura, de ultrapassar "todos os limites" com campanhas de difamação e acusações sem provas. O governante reafirmou a integridade do seu percurso de três décadas na administração pública e remeteu esclarecimentos adicionais aos deputados para o debate regimental na Assembleia da República.