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BE acusa Ventura de "jogo político" e de falhar nas verdadeiras razões para derrubar o Governo
José Manuel Pureza critica a moção de censura da extrema-direita e avisa que o verdadeiro desgaste dos portugueses está na habitação, no supermercado e na crise no ensino.
Por Redação
Publicado em 02/09/2026 21:34
Nacional
@Lusa

Coimbra, 02 set 2026 (Lusa) — O Bloco de Esquerda (BE) já reagiu à intenção do Chega de apresentar uma moção de censura ao Executivo de Luís Montenegro, considerando que a iniciativa passa ao lado dos problemas centrais que afetam o país. Apesar de admitir que a atuação do ministro da Administração Interna, Luís Neves, tem gerado instabilidade desnecessária, o coordenador bloquista, José Manuel Pureza, garante que as razões avançadas pelo Chega não coincidem com o verdadeiro descontentamento popular.

Em conferência de imprensa realizada em Coimbra, o dirigente bloquista considerou que a iniciativa de André Ventura serve apenas para alimentar rivalidades internas no campo da direita e saber quem consegue ser mais radical nesse espectro político. Segundo Pureza, o que realmente exige censura política é a perda contínua do poder de compra dos portugueses, sufocados pela subida do preço das casas, da conta do supermercado e dos combustíveis.

Para o BE, o Executivo merece contestação por ter deixado aumentar o custo das rendas e das prestações bancárias, além do impacto negativo do caos nos exames nacionais e da escassez de professores nas escolas públicas. O coordenador do partido criticou Ventura por ignorar estas dificuldades sociais na sua moção, argumentando que, ao fazê-lo, o Chega acaba por dar margem ao Governo enquanto a população continua com dificuldades em pagar as contas no final do mês.

Embora não tenha exigido a demissão direta do ministro da Administração Interna, José Manuel Pureza avisou que não é desejável para a democracia ter um governante a tutelar as forças de segurança que se vá tornando um "agente de confusão". O líder bloquista remeteu a responsabilidade da continuidade do ministro para o primeiro-ministro, Luís Montenegro, e lembrou que existem mecanismos como a chamada do governante ao parlamento para prestar esclarecimentos sobre a situação.

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