Seixal, Setúbal, 05 set 2026 (Lusa) — O secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo, afirmou este sábado que o Governo liderado por Luís Montenegro se deixou arrastar para uma espiral de polémicas em torno do ministro da Administração Interna, Luís Neves, sublinhando que a responsabilidade política pelas dúvidas levantadas pertence agora a todo o executivo.
Em declarações aos jornalistas durante a Festa do Avante!, na Quinta da Atalaia, o líder comunista considerou que o titular da pasta da Administração Interna tem ainda "muitas explicações para dar", mas avisou que a degradação da situação exige uma resposta governamental concreta para além da esfera individual do ministro.
Interrogado sobre o sentido de voto do PCP na moção de censura agendada pelo Chega para a próxima semana, Paulo Raimundo assegurou que a posição do partido já se encontra definida, recusando contudo revelar a decisão em pleno evento no Seixal para não condicionar a agenda comunista ao que apelidou de "demagogia e folclore" da extrema-direita.
Embora tenha deixado duras críticas à iniciativa do Chega por focar o debate em casos individuais e não nas opções políticas e económicas do executivo, o dirigente do PCP reafirmou que o Governo "merece censura". Paulo Raimundo não descartou a hipótese de os comunistas virem a apresentar uma moção de censura própria na Assembleia da República no momento em que considerarem estrategicamente mais conveniente.