Lisboa, 10 set 2026 (Lusa) — A Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP) saudou esta quinta-feira o pacote de apoio anunciado pelo Governo para a Região Demarcada do Douro, mas avisou que todo o setor vitivinícola nacional atravessa uma crise profunda. A organização representativa dos produtores exigiu a extensão imediata das medidas excecionais ao restante território nacional, sob pena de deixar para trás viticultores de outras regiões em sério risco financeiro.
"A solidariedade com o Douro é inequívoca. Saudamos as medidas anunciadas pelo Governo. O que a CAP não aceita é que essa solidariedade se traduza num esquecimento dos produtores das outras regiões", afirmou em comunicado o secretário-geral da CAP, Luís Mira. A confederação alertou para um fosso de competitividade esmagador em relação a Espanha, onde as ajudas públicas aos fatores de produção — como energia, combustíveis e fertilizantes — chegam a ser mais de 30 vezes superiores às concedidas aos agricultores portugueses.
A somar à quebra no consumo interno e à retração das exportações, a CAP denunciou a "entrada maciça" no mercado português de vinho a granel importado de Espanha, comercializado a preços imbatíveis e muitas vezes "sem certificação de origem, fiscalização ou controlo". Segundo a confederação, este circuito gera prejuízos anuais de dezenas de milhões de euros à produção nacional, exigindo do Estado uma rastreabilidade integral para proteger a cadeia de valor e os próprios consumidores.
A tomada de posição da estrutura agrícola surge na sequência do anúncio, por parte do Governo, de uma verba até 12 milhões de euros para compensar os viticultores durienses que não consigam escoar a produção da presente vindima. O executivo adiantou que esta apoio pontual antecede a criação de um fundo estrutural permanente para gerir as flutuações do setor no Douro a partir dos próximos anos.