Lisboa, 18 set 2026 (Lusa) — O debate de urgência agendado pelo Partido Socialista sobre a escalada do custo de vida transformou-se esta sexta-feira num aceso combate político em plenário, com as bancadas do PSD e do Chega a direcionarem duras críticas ao líder socialista, José Luís Carneiro.
Na sua intervenção, o líder parlamentar do PSD, Hugo Soares, acusou o líder do PS de desenhar propostas económicas com intuitos puramente eleitorais. "A sua política económica é um erro, a sua política económica é assistencialista, a sua política económica é a pensar nas sondagens, a sua política económica é a pensar nos votos", disparou o social-democrata. Hugo Soares contrapôs com a estratégia do Governo virada para "as novas gerações" e sugeriu divisões internas na oposição, afirmando que figuras como Mário Centeno ou Fernando Medina defendem posições opostas às do atual líder socialista.
Também o presidente do Chega, André Ventura, visou o secretário-geral do PS, acusando-o de "hipocrisia e falsidade" por defender publicamente a redução de impostos sobre a energia, mas rejeitar o projeto de lei do Chega para a descida do IVA dos combustíveis invocando a norma-travão constitucional. Ventura alegou a existência de um "acordo hediondo com o PSD" e apelidou a bancada socialista de "fantoche de Bruxelas".
Em resposta às investidas, José Luís Carneiro rejeitou as acusações e acusou o Chega de funcionar como "um biombo que impediu o escrutínio da ação do Governo na gestão da crise". O líder do PS aconselhou a bancada de André Ventura a ler a Constituição, argumentando que a proposta do Chega, ao adiar a entrada em vigor da descida do IVA para janeiro de 2027, apenas atrasa os apoios necessários às famílias portuguesas.