Lisboa, 18 set 2026 (Lusa) — O secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, abriu esta sexta-feira o debate de urgência no Parlamento sobre o custo de vida recorrendo às próprias palavras do atual ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, para acusar o Governo de incoerência e falta de comparência perante a crise energética.
Perante o plenário, o líder socialista citou uma declaração feita por Miranda Sarmento em setembro de 2022, altura em que o atual governante exercia o cargo de líder da bancada parlamentar do PSD. "Não é compreensível que o Governo não tenha avançado com a redução do IVA dos combustíveis, eletricidade e gás, da taxa normal para a taxa reduzida", relembrou José Luís Carneiro, revelando apenas no final a autoria da frase para expor o volte-face político da tutela financeira.
O líder da oposição sublinhou que, em 2022, com o gasóleo mais barato do que nos níveis atuais, a liderança social-democrata exigia a fixação do IVA nos 6%. "Os mesmos que hoje, perante os custos inferiores dos combustíveis, defenderam no passado o IVA a 6%, vêm agora dizer que é irresponsável propor a redução para 13% via ISP", criticou o dirigente do PS, classificando a postura do Executivo da AD como incompreensível.
José Luís Carneiro anunciou ainda que o PS voltará a levar a votos um projeto de resolução recomendando o desagravamento fiscal sobre os combustíveis, o gás, a eletricidade e o cabaz alimentar essencial. O secretário-geral dos socialistas desafiou as restantes forças parlamentares a aprovarem intervenções imediatas, num recado implícito à iniciativa do Chega que adia a descida de impostos para 2027.