O panorama jornalístico e literário português está de luto. Joaquim Letria, um dos nomes mais marcantes e prolíficos da história da imprensa, rádio e televisão em Portugal, morreu esta sexta-feira aos 82 anos, com a confirmação a ser avançada pela CNN Portugal junto da Âncora Editora.Nascido em Lisboa a 8 de novembro de 1943, o percurso de Letria ficou marcado desde cedo por uma forte intervenção cívica e política. Aos 16 anos, filiou-se no Partido Comunista Português (PCP), organização de que viria a afastar-se em outubro de 1968, na sequência da invasão de Praga pelas forças do Pacto de Varsóvia.
A vocação profissional descolou em 1963, no jornal Diário de Lisboa. Ao longo dos anos seguintes, a sua ambição e talento levaram-no a cruzar fronteiras: trabalhou como repórter internacional da agência The Associated Press, foi correspondente da Deutsche-Presse Agentur até 1970 e atuou como comentador do jornal britânico The European. O seu talento chamou a atenção além-fronteiras, valendo-lhe uma seleção para integrar os quadros da britânica BBC em Londres, antes de regressar a Portugal em 1974 para assumir a direção da informação da RTP no período crucial que se seguiu ao 25 de Abril.
A pegada de Joaquim Letria na imprensa escrita portuguesa é, de resto, profunda e incomparável. Esteve envolvido na fundação da equipa criativa que deu origem ao jornal Expresso, tendo posteriormente concebido e fundado publicações emblemáticas como O Jornal, o irreverente Tal & Qual e a revista Sábado. Pelo meio, criou, escreveu e dirigiu inúmeros outros órgãos de comunicação social, além de deixar a sua marca indelével na rádio e na televisão como autor e apresentador de diversos programas de referência.
Para além da vertente mediática, o seu currículo estende-se a várias esferas da sociedade. Letria liderou o Sindicato dos Jornalistas e exerceu funções institucionais de relevo, como porta-voz do então Presidente da República, António Ramalho Eanes. Nas últimas décadas, dedicou também grande parte do seu tempo à transmissão de conhecimento, somando mais de 20 anos de docência em instituições como a Escola Superior de Jornalismo (Porto), a Universidade Independente, a Universidade Autónoma de Lisboa e o Instituto Superior de Ciências da Informação e da Administração (ISCIA), em Aveiro.
Fonte - TVI / CNN Portugal