No âmbito do debate parlamentar sobre a proposta do Orçamento do Estado para 2027, o Governo anunciou um conjunto de incentivos focado na mobilidade sustentável e no combate à pobreza energética. A medida de maior destaque prevê comparticipar até 80% do valor de aquisição de automóveis elétricos destinados às famílias com menores rendimentos, estimando-se que a iniciativa abranja cerca de 20 mil viaturas.
A apresentação das propostas esteve a cargo da ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho. A governante assegurou que o incentivo à eletrificação do parque automóvel para o público em geral se manterá em moldes idênticos aos anteriores, contando com uma dotação orçamental fixada nos 50 milhões de euros. O aviso surge após o esgotamento em poucas horas da última verba de 10 milhões de euros disponibilizada pelo Fundo Ambiental.
Apoio alargado a empresas, transportes públicos e edifícios
O plano de incentivos à transição energética estende-se a outros setores da sociedade e da economia:
Microempresas e frota pesada: O Executivo prevê subsidiar até 9.000 veículos elétricos para microempresas, além do lançamento de incentivos inéditos para a compra de pesados de emissões reduzidas e expansão da rede pública de carregamento.
Coesão territorial: Está previsto o cofinanciamento para a aquisição de 700 autocarros elétricos em regiões de baixa densidade populacional, com vista a assegurar as deslocações de estudantes e trabalhadores.
Eficiência energética em habitações: Até 2032, o Governo pretende chegar a mais de 50 mil lares vulneráveis através de apoios à renovação de edifícios, eletrificação dos consumos e instalação de energias renováveis.
Descarbonização industrial e novas concessões de barragens
No plano empresarial, o Orçamento contempla uma verba de 100 milhões de euros especialmente direcionada para a descarbonização de indústrias com elevado consumo de gás natural, como os setores do vidro e da cerâmica.
Por fim, a ministra adiantou que o modelo para as próximas concessões hídricas e de barragens passará a canalizar uma parcela das receitas futuras diretamente para a recuperação de ecossistemas e de bacias hidrográficas degradadas.
Fonte - Lusa / Sic Notícias