Com o final do mandato de Marcelo Rebelo de Sousa no horizonte, Portugal prepara-se para a maior disputa presidencial da sua história democrática. Este domingo marca o início oficial da campanha eleitoral para as eleições de 18 de janeiro, apresentando um número inédito de 11 candidatos na linha de partida.Um boletim de voto que gera confusão
Apesar de serem 11 os candidatos validados, os eleitores encontrarão 14 nomes nos boletins de voto. Esta discrepância deve-se à inclusão de Joana Amaral Dias, Ricardo Sousa e José Cardoso, cujas candidaturas foram travadas pelo Tribunal Constitucional após o prazo de impressão das matrizes. A Comissão Nacional de Eleições já esclareceu que a medida visa garantir o direito de voto, mas os votos nestes nomes serão considerados nulos.
Candidatos sob o foco do escrutínio
A fase de pré-campanha não foi isenta de polémicas, atingindo dois dos nomes mais mediáticos:
Luís Marques Mendes: Questionado sobre rendimentos de consultoria na ordem dos 700 mil euros, o candidato apoiado pelo PSD/CDS já veio a público detalhar a sua lista de clientes para travar as críticas.
Gouveia e Melo: O Almirante viu o seu nome associado a uma investigação do Ministério Público sobre ajustes diretos na Marinha. No entanto, a PGR confirmou que o processo está na reta final e o candidato não foi constituído arguido.
Os temas que vão dominar as ruas
Ao contrário de 2021, onde a Covid-19 impôs o isolamento, a campanha de 2026 será dominada pela crise no Serviço Nacional de Saúde, agravada por um forte surto de gripe que está a colapsar as urgências. Paralelamente, a crise da habitação promete ser a outra grande bandeira dos candidatos, que tentam agora desviar o foco dos "casos" judiciais para os problemas concretos dos cidadãos.
Calendário Eleitoral
18 de janeiro: Primeira volta das eleições.
16 de janeiro: Encerramento da campanha oficial.
08 de fevereiro: Data prevista para uma eventual segunda volta, caso nenhum candidato obtenha a maioria absoluta dos votos.
O sucessor de Marcelo Rebelo de Sousa terá o desafio de liderar o país a partir de março de 2026, juntando-se à galeria de presidentes onde figuram nomes como Ramalho Eanes, Mário Soares, Jorge Sampaio e Cavaco Silva.