Um lustro de silêncio inspetivo precede o incêndio mortal no bar "Le Constellation", em Crans-Montana. O autarca recusa demitir-se, enquanto a investigação aponta para o uso negligente de pirotecnia decorativa num teto altamente inflamável.Crans-Montana, Suíça – A investigação ao incêndio que vitimou 40 pessoas no bar Le Constellation revelou uma falha sistémica grave: o estabelecimento não recebia uma inspeção de segurança desde 2015. Em conferência de imprensa, o autarca de Crans-Montana, Nicolas Feraud, admitiu a lacuna, mas surpreendeu ao garantir que não abandonará o cargo, afirmando que "não vai abandonar o navio" num momento de crise para a população.
As causas: Faíscas e isolamento inflamável
Os peritos concluíram que o fogo teve origem em faíscas decorativas colocadas demasiado perto do teto. O edifício, originalmente de 1977, possuía um revestimento de espuma para insonorização que não era à prova de fogo. Embora o espaço tenha sofrido obras em 2015, os inspetores focaram-se apenas na nova esplanada exterior, ignorando o estado dos materiais no interior. Além disso, as autoridades confirmaram que as duas saídas de emergência foram rapidamente consumidas pelas chamas, e que a lei local nem sequer exigia um alarme de incêndio para um espaço daquela dimensão.
Troca de acusações e medidas imediatas
Nicolas Feraud defendeu os serviços municipais, atirando a responsabilidade para os proprietários pela gestão da lotação e pelo cumprimento das normas. O autarca lamentou ainda que os avisos sobre a insegurança do local só tenham surgido após a tragédia. "Teria preferido que viessem gritar à minha porta antes disto acontecer", desabafou.
Como resposta imediata ao desastre, a região de Crans-Montana determinou:
A proibição total de pirotecnia ou "faíscas decorativas" em espaços fechados de diversão noturna.
Uma auditoria urgente a todos os estabelecimentos da zona.
O reforço imediato das equipas de inspeção de segurança.
Enquanto a justiça suíça apura as responsabilidades criminais, a cidade tenta recuperar do choque de um dos piores incêndios da sua história recente, que deixou também mais de uma centena de feridos.
Fonte: Baseado em CNN Portugal / Agência Lusa