As forças norte-americanas interceptaram e apreenderam um petroleiro de bandeira russa, conhecido como Bella 1, no Atlântico, na quarta-feira, após uma perseguição que durou semanas. A operação intensifica as tensões entre Washington e Moscovo e aumenta a pressão sobre a Venezuela, aliada da Rússia.
O Bella 1, sancionado pelos EUA em 2024 por transportar petróleo iraniano ilícito, tinha recentemente mudado de bandeira para a Rússia e adotado o nome Marinera, depois de tentar escapar à apreensão da Guarda Costeira norte-americana perto da Venezuela. Durante a perseguição, Moscovo chegou a enviar um submarino para escoltar o navio, enquanto os EUA posicionaram forças no Reino Unido, incluindo aviões de combate e V-22 Osprey.
O petroleiro foi abordado a cerca de 190 milhas da costa sul da Islândia. A operação envolveu os SEALs da Marinha dos EUA, transportados pelo 160º Regimento de Aviação de Operações Especiais, com assistência do Reino Unido. No momento da apreensão, o navio não transportava petróleo.
A Rússia condenou a ação, chamando-a de “pirataria do século XXI” e exigindo a devolução da tripulação. A China também criticou a apreensão, classificando-a como uma violação do direito internacional. Por sua vez, a Casa Branca minimizou os riscos de confrontação, afirmando que o Presidente Trump mantém boas relações com Putin.
Paralelamente, os EUA apreenderam outro petroleiro sancionado, o Sophia, perto das Caraíbas, transportando cerca de 2 milhões de barris de crude venezuelano. A Casa Branca afirmou que continuará a interceptar navios da chamada “frota fantasma” que transportem petróleo ilegalmente, numa campanha que inclui pelo menos 16 embarcações carregadas na Venezuela desde outubro de 2025.
A operação reflete a estratégia de Washington de pressionar a Venezuela e de controlar o transporte de petróleo sancionado, mesmo sob o risco de agravar relações com Moscovo e Pequim.
Fontecnnportugalfoto: Hakon Rimmereid / AFP