A organização do rali Dakar anunciou que pretende que todos os veículos em competição utilizem biocombustíveis até 2030, descartando por enquanto soluções elétricas ou híbridas. O objetivo é tornar a prova de todo-o-terreno mais sustentável, mantendo o mesmo nível de desempenho para os pilotos.
Em entrevista à Lusa, o diretor do Dakar, David Castera, explicou que a busca por alternativas limpas começou em 2020, mas que tecnologias como veículos elétricos, híbridos ou movidos a hidrogénio ainda não estão preparadas para enfrentar as exigências extremas da competição. Por isso, a aposta imediata será nos biocombustíveis, produzidos a partir de matéria orgânica e resíduos alimentares ou agropecuários.
“Já temos carros a competir com esses combustíveis e ganham. Ao nível de desempenho não muda nada. O mais complicado é a logística, porque é preciso fabricar grandes quantidades e disponibilizar às equipas”, afirmou Castera.
O português João Ferreira competiu em 2025 com um veículo a diesel 100% renovável e atualmente corre com um carro a gasolina 70% renovável, fornecido pela Repsol, que também abastece pilotos como Seth Quintero, Henk Lategan e Toby Price. Segundo Rita Pacheco, responsável da Repsol Portugal, os biocombustíveis podem reduzir até 90% das emissões quando comparados com os combustíveis tradicionais, sem comprometer a performance.
A estratégia de transição energética do Dakar pretende demonstrar que é possível conciliar desporto motorizado e sustentabilidade: “Se é possível no deserto, é possível no dia a dia dos consumidores”, conclui Pacheco.
O rali Dakar caminha assim para se tornar uma referência global em mobilidade sustentável, mantendo a adrenalina e a velocidade que caracterizam a prova mais dura do mundo.

Fonte:JN / Fotos: Stephane Mahe - Reuters