O anúncio da possível fusão da Galp com a espanhola Moeve está a gerar opiniões divergentes no Governo português. A ministra do Ambiente, Maria da Graça Carvalho, considera o acordo positivo, defendendo que poderá tornar a Galp uma empresa de maior dimensão a nível mundial. Por outro lado, o ministro da Economia, Manuel Castro Almeida, expressa preocupação com a perda de controlo da refinaria de Sines, um ativo estratégico para o abastecimento energético nacional.
O acordo preliminar prevê que a Galp passe a ter uma posição minoritária na refinação, pouco acima dos 20%, enquanto nos postos de abastecimento a participação será de 50-50. Esta configuração significa que o controlo das refinarias ficará nas mãos da Moeve, o que motiva a apreensão do Ministério da Economia. Castro Almeida sublinha que, mesmo sendo um negócio privado, a importância estratégica da refinaria de Sines, aliada à participação de mais de 8% do Estado na Galp, justifica atenção redobrada.
A ministra do Ambiente prefere encarar a fusão sob outro prisma: Portugal não perderá controlo, mas poderá ganhar influência sobre duas refinarias adicionais da Moeve, reforçando a presença da Galp no mercado internacional. O Ministério do Ambiente nega qualquer divergência com os restantes ministérios e reforça que continuará a acompanhar de perto as negociações.
Especialistas do setor alertam, contudo, para riscos futuros. Apesar de reconhecerem que a Galp isoladamente poderia enfrentar dificuldades financeiras e operacionais na manutenção da refinaria, salientam que a perda da integração vertical — que permite à Galp controlar produção, refinação e comercialização — poderá reduzir o valor estratégico e económico da empresa.
O desfecho do negócio permanece incerto, mas coloca Portugal numa posição delicada entre expansão internacional e preservação de ativos estratégicos.
FONTE:SICNOTICIAS /FOTO:GALP