O governador do Banco Central da Croácia, Boris Vujčić, foi o grande vencedor da eleição desta segunda-feira para vice-presidente do Banco Central Europeu (BCE), numa decisão fortemente condicionada pelas movimentações estratégicas em torno da sucessão de Christine Lagarde, prevista para o próximo ano.
A escolha do novo vice-presidente não se limitou ao cargo em disputa. Foi, acima de tudo, um ensaio geral para a batalha maior que se aproxima: a presidência do BCE. Nos bastidores, voltou a ganhar peso a tradicional divisão entre os chamados “falcões”, defensores de políticas monetárias mais rígidas, e as “pombas”, favoráveis a maior flexibilidade — uma clivagem que, mais uma vez, colocou o norte e o sul da Europa em campos opostos.
Neste xadrez político-financeiro, o candidato português, Mário Centeno, acabou por não reunir o apoio decisivo dos grandes países da União Europeia. França e Espanha, alinhadas com uma visão mais flexível da política monetária, terão optado por não apoiar Centeno nesta fase para não fragilizar as suas próprias ambições na corrida à presidência do BCE em 2026. Já a Alemanha manteve-se distante de um compromisso claro, deixando sempre em aberto o apoio ao candidato croata.
Perante este cenário, o Eurogrupo acabou por escolher Boris Vujčić, numa votação à porta fechada realizada em Bruxelas. A decisão foi tomada na terceira ronda, já apenas com dois candidatos em disputa, depois de Portugal ter retirado a candidatura de Mário Centeno numa tentativa de facilitar um consenso alargado.
Vujčić alcançou o apoio necessário de pelo menos 72% dos Estados-membros da zona euro, representando mais de 65% da população, superando o governador do Banco Central da Finlândia, Olli Rehn. O croata sucede assim a Luis de Guindos, cujo mandato termina no final de maio.
A eleição contou com várias rondas eliminatórias, começando com seis candidatos, entre os quais governadores de bancos centrais e antigos ministros das Finanças. À medida que o apoio se concentrava, foram sendo retiradas candidaturas, até ao duelo final entre Croácia e Finlândia.
O desfecho confirma que, no BCE, as decisões de hoje são inseparáveis das ambições de amanhã — e que a corrida pela liderança da política monetária europeia já está bem lançada.
FONTE: CNN PORTUGAL / FOTO: Banco Central Europeu (ECB)