Ex-alunos acusam escolas católicas francesas de violência sistemática e abusos sexuais
Publicado em 02/02/2026 07:55
International

Um grupo de antigos alunos da rede de escolas católicas lassalistas, em França, veio a público denunciar episódios de violência física, psicológica e abusos sexuais ocorridos entre as décadas de 1950 e 1980. As acusações envolvem membros da congregação Irmãos das Escolas Cristãs, bem como professores leigos, em cerca de 20 estabelecimentos de ensino.

Os denunciantes, hoje maioritariamente com idades entre os 50 e os 70 anos, relatam castigos violentos, humilhações públicas, bullying e, em muitos casos, comportamentos de natureza sexual, incluindo toques inapropriados, agressões e violações. Segundo o grupo, muitos dos crimes já prescreveram e a maioria dos alegados autores encontra-se falecida.

Alguns ex-alunos descrevem práticas extremas de violência, como espancamentos perante colegas, ameaças de morte, amarrações e situações de abuso durante momentos de confissão religiosa. Os testemunhos apontam para um clima de medo e sofrimento prolongado, com impacto duradouro na vida das vítimas.

A congregação reconhece a gravidade das acusações e afirma estar consciente da sua responsabilidade. Desde 2014, dispõe de uma unidade de apoio para receber queixas e acompanhar vítimas. Até ao momento, foram registadas 72 denúncias, das quais 70 já resultaram no pagamento de indemnizações, num total superior a 2,4 milhões de euros, segundo orientações da Comissão de Reconhecimento e Reparação da Igreja de França.

Apesar disso, o grupo de ex-alunos considera as medidas insuficientes e exige o reconhecimento de uma “violência sistémica”, bem como a criação de um fundo de reparação no valor de 100 milhões de euros. Foi também lançado um apelo público para recolha de novos testemunhos.

 

As denúncias surgem num contexto de maior escrutínio sobre abusos em instituições religiosas em França, na sequência de outros escândalos recentes envolvendo colégios católicos, que levaram centenas de ex-alunos a quebrar o silêncio após décadas.

Fonte:SicNoticias / Foto:unsplash

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