A combinação de precipitação incessante e o degelo nas terras altas coloca grande parte do Centro e Norte de Portugal em estado de alerta máximo para inundações nos próximos dias.Apesar de a "ciclogénese explosiva" da semana passada não se repetir, o cenário é de preocupação crescente. O climatologista Mário Marques sublinha que, pelo menos até 9 ou 10 de fevereiro, teremos chuva persistente, em alguns dias mais intensa, que se somará aos solos já saturados.
O perigo do degelo
A situação agrava-se com a previsão de queda de neve acima dos 900 metros entre esta noite e a madrugada de terça-feira. Embora pareça contraditório, este fator aumenta o risco de cheias: as temperaturas irão subir nos dias 4 e 5 com a chegada de uma nova frente, fazendo com que a neve acumulada derreta rapidamente.
"A minha principal preocupação será nesses dias, nomeadamente no Mondego, no Zêzere, no Tâmega e noutros rios, como o Águeda e o Cávado", alerta Mário Marques.
"Rio Atmosférico" alimenta instabilidade
O especialista explica que este padrão meteorológico severo é impulsionado por um "rio atmosférico" – uma corrente contínua de vapor de água vinda de regiões subtropicais que alimenta as frentes quase estacionárias sobre Portugal. Esta "alimentação" constante significa volumes de chuva muito significativos ao longo da semana.
Fenómenos mais violentos
Mário Marques reitera que, apesar de não serem necessariamente mais frequentes, os eventos extremos estão a ocorrer com maior violência devido ao desequilíbrio atmosférico e aos oceanos mais quentes. A falta de capacidade de absorção dos solos em áreas urbanizadas agudiza ainda mais a vulnerabilidade do país.
A Proteção Civil já ativou o Plano Nacional de Emergência, e apela à população para se manter vigilante, evitar zonas de risco e seguir todas as recomendações das autoridades. Uma segunda quinzena de fevereiro poderá trazer alguma acalmia, mas a primeira metade do mês exige máxima atenção.
Fonte - CNN Portugal